Olá, seja bem vindo!
Se você acaba de chegar no blog é sempre bom lembrar que A Vida Secreta é um site que fala de sexualidade de maneira leve, descomplicada, mas desaconselhável para menores de 18 anos.
O texto abaixo é uma visão pessoal desta mocinha que vos escreve, apesar de usar referências acessÃveis na rede (Wikipedia, portais de notÃcias, etc), com a intenção de informar, desmistificar e levantar a discussão sobre o assunto. Não há nenhuma intenção de provocar o terrorismo contra ou fazer apologia à prática.
Siga os links, muito obrigada pela visita e volte sempre.
Conversa com minha mãe…
– Filha… David Carradine, aquele que fazia o Gafanhoto, morreu!
– Pois é, estou sabendo… Ele também fez Kill Bill, sabia?!
– Sim, sabia. Morreu dia 4, mas… Você está sabendo que a morte dele foi estranha?
– Como assim?
– Pois é, ele foi encontrado nu, com uma corda em volta do pescoço e do pau… Estão dizendo que pode ter sido suicÃdio ou… Sei lá! Que foi alguma destas práticas sexuais bizarras que você fala no blog.
Sorri…
– Você está dizendo que o “véio” morreu de asfixia autoerótica?
– É, mas eu não acredito muito, pois… O que um velho daquele ia estar fazendo sozinho, pelado, se masturbando, com uma corda no pescoço?
Sorri novamente…
– O que você acabou de dizer. Se masturbando, pelado, com uma corda no pescoço…
– Mas ele tava muito velho pra estas perversões, afffffffff…
– Ninguém está muito velho para o sexo, tampouco para nenhuma perversão minha mãe, ninguém!
A morte de David Carradine e a Asfixia Erótica
Pois é, o David Carradine morreu de uma maneira esquisita. Se foi suicÃdio, assassinato ou asfixia erótica – uma prática sexual bizarra, como disse a minha mãe –  só as investigações vão dizer. Parece que uma segunda autópsia encomendada pela famÃlia está descartando a hipótese. No entanto,  seja verdade ou mentira, a morte do dignÃssimo senhor fez buxixo em cima de uma das práticas mais discutidas que conheço, a Asfixia Erótica.
E como falar de sexo de uma maneira descomplicada é um dos lemas do A Vida Secreta, a Atrê previu muito bem, certamente falarÃamos do assunto. Aliás, já até falei sobre asfixia erótica em outros dois momentos por aqui. Quando citei o filme Killing me Softly, onde – inclusive - linkei algumas variantes da prática. Também comentei brevemente sobre o assunto quando falei das minhas experiências com fetichistas.
(Provavelmente, um grande amigo e apaixonado por diversas variantes da asfixia erótica, vai reclamar após ler este texto. Vai dizer que estou fazendo campanha contra, algo como “cuspir no prato que comeu”, já que sou uma adepta da prática, mas a única intenção com este texto é a informação, só isso. Acho que informação nunca é demais.)
O que é Asfixia Erótica
É considerada Asfixia Erótica quando o indivÃduo interrompe  intencionalmente o fluxo de oxigênio para o cérebro com a intenção de  excitação sexual. Seja por estrangulamento, garroteamento, afogamento, tanto faz. A prática também é Asfixiofilia. Trata-se de uma parafilia que devido ao seu risco letal é considerada uma prática de risco. Principalmente o caso da asfixia autoerótica, pois o risco de apagar e não ter ninguém que possa ajudar a reanimar é grande, pode ser mortal.
O risco é  muito questionado pelos fetichistas apreciadores, pois mistura-se ao prazer. Como se um não existisse sem o outro. Quem sabe o risco é um fator potencializador do tesão? Se por um lado, o tempo que ficou “apagado”, sem oxigenação, pode (eu disse “pode” não disse “vai”) causar danos reais com risco até de morte, por outro lado  é fato que a falta de oxigenação dá um certo “barato” e a sensação de “volta” é também um grande prazer, segundo os amantes da prática.
Fetiche do outro é coisa estranha…
Segundo o Guia dos Curiosos, a origem da expressão “afogar o ganso” revela uma direta relação com a asfixia erótica. Na Antigüidade, os chineses usavam gansos (taà uma prática sexual que detesto, zoofilia) para satisfazer suas necessidades sexuais. Pouco antes da ejaculação, o homem mergulhava a cabeça do ganso na água para sentir as ”prazerosas contrações anais da vÃtima, o ganso,  durante seus últimos espasmos”.
Em Hong Kong, as prostitutas do cais resolveram adaptar essa prática para atrair clientes. Elas mergulhavam a própria cabeça dentro da água, enquanto o parceiro fazia a penetração da vagina por trás. Putas masoquistas ou desesperadas? Sei lá… Assim nascia mais uma prática sexual bizarra.
Tipos de Asfixia Erótica
- Autoasfixia – independente da variação, é quando a própria pessoa aplica em si o ato.
- Afogamento – mergulhar a cabeça na água
- Estrangulamento – mãos ou braços estrangulando o pescoço
- Hand Smothering – mãos tampando boca e nariz
- Breast Smothering – asfixiar com os seios
- Máscara de Gás – uso de máscaras para conter a passagem de oxigênio
- Face Sitting – asfixiar sentando na face
- Garroteamento – uso de cordas, lenços e outros em volta do pescoço para asfixiar
- Sacos Plásticos – uso de saco ou filme plástico na cabeça para conter a passagem de oxigênio
- Trampling – asfixiar pisoteando, seja pela compressão no torax ou  pés no pescoço.
A Asfixia e os Esportes
Esta opinião é um “achismo”, mas pra mim é impossÃvel não relacionar determinados esportes como o Jiu-Jitsu, luta greco-romana ou mesmo Luta Mista (esta eu duvido que não tenha intenções eróticas e sadomasoquistas) a este prazer.  Já conversei com alguns lutadores, que sequer tinham contato com o fetiche, e o brilho no olhar deles contando como “finalizaram” o outro, a ponto de deixá-lo humilhado, sem ar, desmaiado,  era bastante estusiasmado e sádico.
Determinados golpes de imobilização com as pernas,  braços… Visam colocar o outro na situação mais desconfortável possÃvel e “pedir para sair” do embate. Foi um lutador de Jiu-Jitsu que me deu dicas básicas de como asfixiar alguém de maneira “segura” e também trazer de volta alguém que “apagou”, pois não é nada incomum isso acontecer durante as lutas.
Casos de Asfixia Erótica que foram notÃcia

Não é incomum eventualmente aparecer um ou outro caso na mÃdia (especulações?) de pessoas que se deram mal com essa prática. Certas pistas levam a polÃcia a descartar um suicÃdio simples de uma morte acidental por asfixia erótica.
Às vezes, em casos de morte acidental por asfixia autoerótica é encontrado por perto algum objeto que poderia ser usado como um “mecanismo de emergência”, digamos assim, caso perdesse a consciência. Objeto que perde completamente a função, uma vez que desmaiado não se pode fazer muita coisa. É comum encontrar o indivÃduo nu ou com a mão nas partes Ãntimas, e também outros objetos eróticos, como plugs, dildos ou apetrechos sadomasoquistas ou crossdressers. Não é à toa que quando a mÃdia tem acesso a um caso desse, cai em cima feito urubu na carniça.
E isso não é de agora não, um dos casos mais famosos (Sada Abe, Tokyo, 1936) foi inspiração ao filme Império dos Sentidos (Ai no corrida), um clássico de “filme safado com fama de cult“.
Na França, em 2007 uma campanha contra o “jogo do lenço”, em que crianças e adolescentes brincam de se estrangular para sentir alucinações causadas pela falta de oxigenação e de irrigação sangüÃnea no cérebro, provocou um grande debate. A campanha foi alarmista, pois visava alertar pais e adolescentes de que a maior parte dos casos de morte aconteceram quando  tentavam reproduzir (sozinhos) a tal brincadeira em casa. É complicado…
Abaixo uma pequena lista de casos conhecidos que encontrei na Wikipedia.
- Frantisek Kotzwara, compositor, morreu de asfixia erótica em 1791. Provavelmente é o primeiro caso registado. Contratou uma prostituta para castrá-lo, mas como ela não aceitou, pediu apenas que fizesse sexo enquanto ele se autoasfixiava com uma corda amarrada ao pescoço e à porta.
- Sada Abe (já citada) matou seu amante, Kichizo Ishida, através de asfixia erótica em 1936. Depois disso enlouqueceu e cortou o penis do amante, vagando dias com o “negócio” à tiracolo. O caso causou grande comoção no Japão em 1930 e manteve-se no Japão como um dos mais famosos casos assassinato de todos os tempos.
- Albert Dekker, ator, foi encontrado morto pela namorada (os boatos da época diziam que era gay enrustido) em 1968 no banheiro de sua casa, vendado, algemado e nu, com a mangueira do chuveiro em volta do pescoço e palavras eróticas rabiscadas em seu corpo a batom. Provavelmente uma sessão BDSM que não terminou bem.
- Vaughn Bode, artista plástico e desenhista de HQs, morreu em 1975 por asfixia autoerótica. Parece que o moço tinha mania de autoasfixiar-se como prática de meditação, sei lá…
- Stephen Milligan, um deputado conservador britânico, morreram por asfixia autoerotica combinada com autoescravidão e crossdressing. Este descobriu da pior maneira que brincar sozinho é muito ruim.
- Kevin Gilbert, músico, compositor, produtor e colaborador de diversos artitas famosos (Madonna, Michael Jackson, etc), morreu (aparentemente) de asfixia auto-erotica em 1996.  Este é o tipo de assunto que os familiares querem literalmente “abafar o caso”.
- Michael Hutchence, vocalista do INXS, ao que tudo indica (o bom momento na carreira, a ausência de bilhete suicida e a presença de um cinto encontrado perto de seu corpo nu) morreu de asfixia autoerotica em 1997. Apesar de todos os indÃcios, o suicÃdio foi a causa oficial da morte.
- Kristian Etchells, membro do British National Front, foi encontrado morto em 2005 no armário em seu apartamento com um fio preto em torno do pescoço e com uma foto de mulher no chão
- Em 2007, o The New York Times teve uma história de primeira página. Um adolescente que sofreu um ataque cardÃaco e passou três dias em coma depois de ser encontrado desacordado no que parecia ser um  jogo de asfixia erótica.
- Em Herceg v. Hustler, Diane Herceg processa a revista Hustler pela morte de seu filho de 14 anos, Troy D., que tinham experimentado a asfixia autoerótica depois de ler sobre o assunto na publicação.
Eu e a Asfixia Erótica
Nem tudo o que falo por aqui já tive algum contato pessoal, mas no caso da asfixia erótica já estive nos dois extremos, asfixiando e asfixiada. Comecei por curiosidade, evito por cautela, mas todas as vezes que repeti, fiz por puro prazer.
Meu prazer é sádico, um sádico lúdico, já que não tenho real intenção de fazer mal. Gosto de ver o outro desesperado por ar, avermelhando, arroxeando…  Acreditando realmente que naquele momento posso lhe tirar a vida, mas só. Não é real. No fim das contas é só mais uma das minhas brincadeiras de controle.
Sou cautelosa, mas mesmo com toda cautela já vi alguém apagar em minhas mãos. Isso brevemente, já que ao perceber o desmaio, um vigoroso tapa na face o trouxe de volta. A adrenalina daquele momento é indescritÃvel para ambas as partes. Ele descreveu sua “volta” com alguma desorientação e euforia. Eu senti medo e depois um grande alÃvio e prazer. Isso em fração de segundos.
O controle é extremamente relativo, pois o outro é uma vida. As sensações são indescritÃveis, mas perigosas quando extremadas. Evito, mas não nego o prazer. Tanto, que quando menos percebo, na mais normal das relações, me vejo brincando de alguma forma com a asfixia. Seja com os seios, mãos, coxas, sentando na face…
No caso da minha experiência como asfixiada, não tive prazer. Não tenho prazer em perder o controle e é exatamente esta a sensação que tive. Meu amigo, coitado, deve ter achado muito sem graça aquela sessão comigo. Afinal, foi uma sessão única e exclusiva para que eu e ele, apaixonados por asfixiar, experimentássemos o oposto, ser asfixiados. Valeu como referencial, um outro ponto de vista, até mesmo para ter mais cuidado, mas… Não é pra mim.
Cuidados e Riscos
- Ter consciência que há risco de morte. É claro que atravessar a rua também é arriscado e nem por isso a gente deixa de fazê-lo, no entanto, os riscos com a prática são reais e não apenas “terrorismo” da minha parte.
- Se fizer, nunca faça sozinho. Pela pequena lista citada na wikipedia dá pra perceber que os casos de morte por autoasfixia são muito maiores do que por estrangulamento.
- Confiar no outro durante a prática é primordial, crie um código (algo com dois tapas na cama ou no braço talvez), mas lembre-se que durante  o ato pode haver certa desorientação, portanto, estar com alguém que seja extremamente consciente é essencial.
- Evitar estar alcoolizado, asfixiador e asfixiado. O álcool muda os parâmetros de julgamento e pode colocar em risco o prazer e a vida.
- Estar preferencialmente sentado ou recostado é mais seguro. Dessa maneira o asfixiado pode pousar a mão no braço do asfixiador, pode ser um bom sinalizador se o braço pender com um possÃvel desmaio.
- Se estiver asfixiando por trás, com o braço, tipo “sossega leão” (chave de braço em volta do pescoço), uma boa dica é estar diante do espelho. Assim é possÃvel observar melhor as expressões e reações do outro.
- No caso de desmaio soltar imediatamente para liberar a circulação sanguÃnea
- Um tapa na face, de susto, ajuda também na reativação da circulação sanguÃnea.
- Se a liberação do estrangulamento e nem o tapa der jeito, aÃ… Reze… Mas reze ligando para a emergência e tentando uma respiração boca a boca e massagem toráxica. (Lembra que a primeira dica foi a de que há risco de morte? Pois é…)