Nunca tive um orgasmo

[Updated] Recentemente, uma leitora deixou uma mensagem, na verdade um comentário meio desesperado no post Como entender o orgasmo feminino e lubrificação vaginal pedindo ajuda.

“eu nunca tive um orgasmo será que tenho algum problema,estou casada a seis anos e nao consigo ter orgasmo,fico muito constrangida com isso porque todos tem menos eu e o meu marido ja anda indiferente comigo,sera que alguem pode me ajudar por favor”

Pensando nisso, em como ajudá-la, fiquei matutando como poderia fazê-lo. Refleti sobre o quanto nós mulheres somos parecidas e ao mesmo tempo tão diferentes. E diante disso, achei que seria bem interessante ao invés de dar uma aula de “achismos” compartilhar um pouco minhas experiências e lançar o desafio a outras blogueiras amigas. Convido todas que quiserem participar, cito algumas abaixo. Não para servir como aula ou verdade, mas sim como referencial. Segue a minha contribuição.

A descoberta do prazer através da auto-estimulação (masturbação)

Tive meu primeiro orgasmo quando sequer sabia o que era um. Era uma pré-adolescente e ao contrário do que possam pensar, bem menina mesmo. Não fui da geração “É o Tchan”, muito pelo contrário, adorava brincar e não vivia pensando em namorado nessa época. O gozo aconteceu meio por acaso, quando percebi que enquanto me lavava, o jato d’água do bidê (ainda não usavam chuveirinho) em um ponto específico dava uma sensação gostosa, que um dia me deu uma sensação ainda mais gostosa e, é claro, repeti mais vezes. Tão lúdico como qualquer brincadeira. Só fiquei sabendo que o que senti foi um orgasmo e que aquele jato d’água “lá” era uma espécie de masturbação tempos depois lendo a Enciclopédia da Vida Íntima. Já até comentei sobre isso aqui.

Sexo sem sexo, a deliciosa arte de dar uns beijos e ter prazer com isso

Já o primeiro orgasmo acompanhada foi em um Reveillon. Era virgem e estava dando umas beijocas em um mocinho bem safado em um escurinho. É gostoso lembrar disso tanto tempo depois e até bonito. Ele era safado, mas respeitava meus limites. O tempo tem o dom de atenuar os erros e enaltecer os acertos. Passar uma borracha nos pontos desinteressantes e um flou tornando a lembrança uma imagem quase etérea. Por exemplo, dá até pra esquecer os mosquitos, o flagra do vizinho mexeriqueiro e focar apenas nas sensações novas, na respiração no ouvido, a coxa entre minhas coxas roçando e as pernas fraquejando após aquela sensação que na hora não passou de uma “agonia gostosa” e difícil de explicar. Lembro que naquele dia, apesar de ter entendido pouco do turbilhão de sensações, foi a primeira vez que me senti mulher, mesmo ainda sendo ‘moça’ (como diziam as senhoras daquela época). E isso foi importantíssimo para os próximos passos da minha trajetória sexual.

Dúvida: A primeira vez é sempre decepcionante?

Deixei de ser virgem pelos motivos sociais errados, mas pra mim eram os certos na época. Eu estava cansada de ser virgem. Não tinha nenhuma relação afetiva com o companheiro daquele momento que – rezava a lenda – deveria ser o mais importante da minha vida sexual. Foi uma droga, doeu, eu só ficava preocupada se estava fazendo ou não a coisa certa. E até hoje não tenho esta resposta, mas certamente aquele primeiro passo determinou o caminho que eu iria seguir. A busca pelo prazer. Só não sei se foi bom ou mau. O cara se sentiu meio esquisito, pois só contei pra ele depois. Eu me senti meio esquisita, pois achei sexo – intercurso sexual completo – muito sem graça. Seria eu uma frígida fadada ao limbo de uma morna e sem graça vida sexual? Felizmente eu não sou tão acomodada assim e segui em minha busca.

Como assim, orgasmo?

Ainda bem que a vida continua, sou ousada e nem os obstáculos que foram aparecendo em minha vida impediram de buscar um prazer pleno. Logo no início descobri que as preliminares eram mais interessantes que a penetração. E que tão interessante quanto o gozo, era a diversão de fazer sexo desta, daquela e de todas as maneiras. Me apaixonei pelo prazer da descoberta, pelo prazer de dar prazer, mas descobri uma coisa muito comum aos espécimes do sexo feminino também, fazer sexo com quem se gosta era muito melhor. No entanto, fazer sexo por sexo também não era ruim como a sociedade teimava em dizer. Às vezes, muito pelo contrário. Que dilema… Ser ou não ser uma menina de família?

Meu primeiro orgasmo trepando aconteceu por acaso, com alguém que eu gostava, depois de algum tempo que já estávamos juntos. Não o amava, nem ele a mim, saíamos, mas não tínhamos compromisso. Naquele dia, de uma maneira que eu não sei bem explicar, em um papai e mamãe até bobinho, mas ouvindo umas deliciosas sacanagens no ouvido, passei do “quase lá” para “lá”, enfim. Não teve música romântica no ar, nem sininhos tilintando, tampouco trilha sonora da filme pornô repleta de “uhhhh, ahhhh, yeahhhhh…” Foi apenas como se estivesse em uma montanha russa, onde a tal “agonia gostosa” ia crescendo, crescendo, até despencar como um carro desgovernado em uma descida rápida e vertiginosa. Pena que dura tão pouco, uns segundinhos, talvez… Ainda bem que dá vontade de quero mais.

Os diferentes tipos de orgasmo

Com o tempo descobri que aquela sensação podia acontecer de N maneiras com maior ou menor intensidade. Que gozar só (masturbando) é diferente de gozar acompanhada, mas não menos prazeroso. Que quanto mais eu me conhecia e fantasiava, mais treinava para os momentos que estava com o escolhido e com ele compartilhava meu orgasmo. Descobri também que gozar junto é raro, mas não impossível. Que é possível gozar chupando, sendo chupada, dando (a frente ou atrás)…

Como descobri também que, por precaução, é melhor gozar algumas vezes antes deles, pois há uma diferença gritante entre a nossa maneira de gozar e a deles. Depois do 1° orgasmo ficamos mais sensíveis, e quase sempre gozamos mais. Quanto a eles… Bem, nem sempre. A fisiologia masculina não ajuda muito as mulheres neste caso, aquela irrigação absurda à cabeça “não pensante” acaba tornando o homem um gato de armazém e dormindo em cima do saco… risos. É claro que isso depende da idade, saúde, do tempo e do envolvimento.

É muito ruim fazer sexo sem chegar ao orgasmo. E uma das melhores coisas que ser sexualmente livre me proporcionou, foi descobrir que às vezes é muito fácil gozar com alguém e outras vezes não é tão fácil assim, mesmo gostando. É como se para o sexo existisse uma sintonia. Talvez por isso eu seja tão contra o casamento entre virgens. Pra mim, test-sex-drive é necessário sim!

Coisinhas que me fazem “chegar lá”

  • Como disse antes, não acredito muito em dar conselhos, mas posso partilhar determinadas conlusões, particularidades. Se posso dar um conselho é, filtrem o que interessa, joguem fora o que não importa, formem seus próprios conceitos e experimentem. Só assim criamos nossa própria verdade!
  • A auto-estimulação ajuda no auto-conhecimento. Masturbar-se é um exercício delicioso de erotismo, quanto mais me conheço, mais aprendo a indicar os sinais ao outro. Mais sensível eu fico e o orgasmo é cada vez mais frequente.
  • Nunca faço sexo esperando muita coisa, faço sexo pelo momento, pela diversão. É como ir a uma festa preocupada com o que vai rolar, com o que vai acontecer. Tanta ansiedade só atrapalha, com o sexo não é diferente. Portanto, relaxe, divirta-se e aproveite o momento.
  • Sou sinestésica, pra mim o melhor sexo é o que consegue conectar meus cinco sentidos. Gosto de ver e ser vista, provar e ser provada, sentir o outro de todas as maneiras. Prestar atenção aos sons, aromas, sabores…
  • Tenho uma particularidade. Meu pé é uma zona erógena também. Mordidinhas em locais estratégicos me deixam doidinha e continuadas me fazem chegar lá.
  • Detalhe, para ter tal consciência, tive que me permitir experimentar. Se existe uma certeza é que instinto e sensibilidade ajudam, mas só a prática leva à perfeição.

Não sei se minha história pessoal pode ajudar a leitora, mas acho importante dizer que, é claro, que a gente aprende a ter orgasmos. Para isso, basta se permitir. Conversar com o parceiro pode ser interessante, falar das fantasias, das vontades, e também do que não gosta. O resto é deixar rolar, só isso…

Indico também o post Interatividade sexual, ou, Como proporcionar orgasmos onde uma leitora dá dicas preciosas aos homens.

Fica então o meu convite a mulheres que queiram dar suas dicas e/ou partilhar suas experiências. Os comentários estão abertos, quem sabe até isso vire um outro post. Não é meme, fiquem à vontade para participar ou não.

Por enquanto, convido as mocinhas dos respectivos blogs abaixo, que fazem parte das minhas leituras frequentes e gosto muito da maneira como escrevem. À medida que forem postando seus textos e  aparecendo em ping-back vou atualizando este post com link para eles.

www.astransgressoesfemininas.blogspot.comCláudia Motta passeia entre as experiências pessoais e comenta da ‘ditadura do orgasmo’. Muito bom.

www.conversaatrevida.blogspot.comA Atrê colocou no ar esta semana o seu post sobre o assunto

www.eroticidades.wordpress.comA Urban fez um texto/relato também, muito bom. Orgasmo, que Bicho é Esse? Gostei muitíssimo, acho que vale dar uma olhadinha.

www.pecadora.opsblog.com

www.sentimentoemletras.blogspot.com Sentimental faz um texto gostoso de ler, rápido e objetivo. Partilhando opiniões e experiências. Adorei

www.sextosexo.com – A Fernanda fez um post recente sobre o assunto, Nunca Atingi o Orgasmo. Portanto, já retifiquei o link, é só clicar.


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