Uma conversa que ouvi no metrô me deixou de ouvidos atentos: “Mas então cara, preconceito puro, não dura nem dez segundos… É claro que o cara mexe bem lá dentro, mas… Não fiquei menos homem por isso!” É claro que apesar da ausência de palavras mais especÃficas, pude notar que o assunto tratava de um toque retal, um exame de próstata.
O papo continuou e apesar de falarem bem baixinho, foi impossÃvel não acompanhar o assunto daqueles dois homens, na faixa de uns cinquenta anos. Um contava a experiência e os benefÃcios do diagnóstico precoce o outro ouvia curioso e  atentamente eventualmente fazendo uma ou outra pergunta.
O “expert” contava que graças ao exame periódico o médico pôde detectar o aumento da próstata e extirpá-la preventivamente antes de tornar-se um câncer, sem perder suas funções sexuais. Assunto que o amigo ficou muito interessado, mas infelizmente não pude continuar a ouvir, pois havia chegado minha estação de destino.
Este assunto me fez retomar uma pesquisa que há algum tempo iniciei, pois tive contato sexual com um prostectomizado. A experiência foi extremamente interessante. Ele, como o homem que eu fuxiqueiramente fiquei ouvindo o papo do metrô, descobriu em um exame de rotina uma tendência gradual do aumento de sua próstata e, antes que se tornasse um problema maior, o médico indicou a retirada da mesma.
Apesar da operação ter sido feita “à céu aberto” (quando não acontece por vÃdeo-laparoscopia) para investigar melhor possÃveis problemas, a recuperação foi rápida (ficou apenas dois dias no hospital e em vinte dias já estava com sua função sexual restabelecida) e, felizmente, não teve sequer problemas com incontinência urinária (seu temor maior após o medo da impotência).
Como mulher, foi impossÃvel não observar que, apesar da ereção plenamente satisfatória, da lubrificação natural do momento e da nÃtida sensação de orgasmo dele, não houve ejaculação. É claro que perguntei os porquês e a resposta foi simples, com a retirada da próstata o orgasmo não se dá mais com a ejaculação, já que não produz mais lÃquido seminal.
E então, como sou uma curiosa profissional fui buscar mais informação sobre a sexualidade do prostectomizado. E os dados nem sempre são tão bem sucedidos como o do meu amigo citado acima. E justamente por quê? Preconceito!!! Porque o medo de tomar uma dedada é maior que o desejo de prevenir algo pior. Bobagem…
Fiz uma busca e achei um bom texto sobre o assunto de uma maneira geral e resolvi reproduzir aqui a parte que trata da recuperação da função sexual do prostectomizado. Acho que vale ser lido por homens e mulheres.
A função sexual depois da cirurgia
(O texto abaixo faz parte do artigo Hipertofia Benigna da Próstata do site www.medicoassistente.com Aconselho a leitura integral para maiores informações sobre o assunto)
Uma das maiores preocupações dos homens quando são confrontados com a necessidade de fazerem uma operação na próstata é com as consequências da operação sobre a sua vida sexual. Alguns mitos e falsas informações contribuem para alguma confusão.
Na verdade, raramente a função sexual fica seriamente afetada com a cirurgia, embora habitualmente seja preciso entre 3 a 12 meses para que haja uma retoma da atividade sexual regular. Muitas vezes, a preocupação sobre a sua função sexual provoca mais problemas do que a própria operação. Compreender o que se passa geralmente permite que o homem retome a sua função sexual mais cedo. Por vezes pode ser útil ter algum aconselhamento psicológico no perÃodo imediatamente a seguir à operação.
O modo como a cirurgia pode afetar a função sexual pode ser resumido nos seguintes aspectos:
Ereções
Se não tiver problemas de ereção antes da operação, provavelmente não vai ter quaisquer problemas depois. Diretamente relacionado com a cirurgia só há diminuição ou perda de potência sexual em 3 a 4% dos doentes operados.
Ejaculação
Embora a maior parte dos homens continue a ter ereções após a operação, passam a ter os chamados orgasmos secos, ou seja, passam a ter sensação de clÃmax sexual sem emissão de esperma para o exterior.
A que é que se deve esse fenómeno?
Durante a atividade sexual, o esperma proveniente dos testÃculos entra na uretra logo abaixo do chamado esfÃnter interno, um sistema muscular localizado a nÃvel do colo da bexiga, e logo acima do esfÃnter externo, outro sistema muscular localizado abaixo da próstata. Normalmente, no momento da ejaculação, o esfÃnter interno encerra, impedindo a passagem do esperma para a bexiga; por sua vez o esfÃnter externo abre, facilitando a saÃda do esperma para o exterior.
Com a operação as coisas já não se passam do mesmo modo, pois o esfÃnter interno é ressecado e desaparece. Não encontrando resistência à sua passagem, o esperma, em vez de sair para o exterior, entra na bexiga onde se mistura com a urina. É a chamada ejaculação retrógrada. Mais tarde o esperma sairá com a urina, quando se der uma micção.
Orgasmo
Orgasmo não é exatamente o mesmo que ejaculação, embora muitos homens confundam as duas situações porque elas habitualmente estão associadas. Sendo o orgasmo a sensação de prazer no momento do clÃmax sexual, deve ficar claro que ele não desaparece. Embora possa demorar algum tempo até se habituar com a ejaculação retrógrada, a maior parte dos homens não nota qualquer diferença entre o orgasmo antes e depois da operação.
Portanto, se você é homem, tem mais de quarenta anos e ainda não fez o exame preventivo de próstata por medo ou preconceito, volte ao primeiro parágrafo e releia a dica do cara no metrô ao amigo curioso, mas relutante. O exame é muito mais necessário do que se pode imaginar e se tiver problemas, tudo dectado no inÃcio tem mais condições de cura.