O entrevistado a meus pés

Dia desses, conversando com uma amiga que vive histórias e mais histórias insólitas comentei: “Menina… Certas coisas só acontecem contigo!” No entanto, há pouco, enquanto eu me preparava para escrever este relato, parei para pensar exatamente a mesma coisa, só que relacionado a mim. Certas coisas só acontecem comigo…

Após dez dias bem agitados, com Campus Party, projetos em blogs paralelos y otras cositas más, não tive tempo para muita coisa que desejava, mas ainda assim resolvi tirar a sexta-feira para mim. Teria um compromisso pela manhã, um à tarde e jantaria com amigos à noite. Hard?! Sim, mas meus dias em SP foram duros também, eu precisava de um relax.

O compromisso da manhã foi correu bem. E tão logo a tarde começava, chegou à casa da minha amiga um conhecido (podólatra) em comum. Muito querido, que há tempos não o via. À princípio, o encontro era só pra matar saudades, jogar conversa fora, mas assim que comentei do A Vida Secreta, dos relatos em primeira pessoa, das entrevistas, ele mesmo fez a proposta: “E se você me entrevistasse a seus pés?!“. E como não sou de deixar passar oportunidades, aceitei. E assim começava mais uma de minhas inusitadas histórias, dessas, que só acontecem comigo.

Sentamos eu e minha amiga no sofá. Eu, de sandálias prateadas e ela com um scarpin da mesma cor, ambas de preto. Enquanto eu descansava o pé em seu peito, ela o fazia em sua face.

Munida de papel e caneta, ele entre uma carícia e outra, entre um beijo e outro em minhas solas, respondia às minhas perguntas naturalmente. Eventualmente eu olhava para baixo, e podia vê-lo encantado com os quatro pés sobre si, mas a maior parte do tempo eu ficava mesmo era absorta às perguntas, ou mesmo entretida com algum assunto com minha amiga. Mulheres juntas sempre tem uma tendência à dispersão.

:: Diga, qual a sua mais remota lembrança relacionada à podolatria?

Nasci podólatra…

:: Sei, mas quando percebeu que pés eram mais interessantes que outras partes do corpo?

No máximo 5 ou 6 anos de idade, não mais. De vez em quando me pegava olhando os pés das meninas na rua, das vizinhas, as colegas de escola…

:: Das tias…

Não, das tias não, nunca tive nenhum interesse em pés familiares.

:: E qual a sua principal fantasia nessa época? É capaz de lembrar?

Sim, lembro… Eu me imaginava sempre beijando os pés que observava. Era algo simples, mas que sempre vinha em meu pensamento.

:: Você se auto-denomina podólatra, mas… Também se considera um submisso?

Submisso sim, mas masoquista não. A simples idéia do masoquismo, da humilhação, da dor, me corta completamente o tesão. Sou capaz de brochar imediatamente. Acho que o ato de estar aos pés de uma mulher, beijando, adorando seus pés é um ato de submissão, mas realmente, não vejo como masoquismo.

:: Me conte uma fantasia recorrente. Aquela que volata e meia de deixa excitado?

Estar à disposição de uma ou mais mulheres. Pode ser para estar simplesmente a seus pés, deitado ou ajoelhado, beijando e adorando-os. Como também pode ser algo mais submisso. Como se eu estivesse sendo ignorado. Como se fosse uma coisa. Quem sabe enquanto a mulher toma um café ou chá com as amigas, ou mesmo agora, enquanto vocês conversam e esquecem que estou aos pés de vocês.

Também gosto muito de mulheres impositivas. Dessas que simplesmente nos pedem (mandam?) algo sem nos dar chance de negativa. Mesmo durante o sexo comum, não podólatra, gosto quando a mulher manda que eu faça isto ou aquilo com ela. Não ter o controle durante a transa me excita muito.

:: E quanto ao seu lado A, as pessoas próximas sabem desse seu lado B?

Sou uma pessoa discreta, prefiro manter discreta a minha vida secreta. Somente as pessoas muito próximas a mim, sexualmente falando, tem acesso a esta minha faceta.

:: Uma pergunta indiscreta: Escolhe suas parceira pelo pé?!

Sim! – ele responde imediatamente com um sorriso safado.

:: E das práticas podólatras, quais você citaria como imprescindíveis?

Worship (adoração), pés na face, feet smothering (sufocamento com os pés), cock crush (pisada no pau) e morder calcanhares. Amo!

:: Já que falou de calcanhar, o que seria um pé anatomicamente perfeito para você?

O tamanho é indiferente, mas acho que pé bonito tem que ser limpo e sem calosidades. Com ou sem esmaltes, com dedos escadinha ou segundo maior, tanto faz. O pés bonitos sãoos bem tratados e com arco (curva interna) bem definido.

:: E como você comentou que o tamanho é indiferente, qual o menor e o maior pé que já esteve em sua face?

Hummmm… Sinceramente? Não sei! É realmente indiferente. Posso dizer que os menores e os maiores estão sobre mim neste momento. (Minha amiga tem pés 35, arco perfeito, delicados, dedos escadinha, enquanto eu calço 39, também tenho uma curvatura interna interessante e tenho o segundo dedo maior).

:: Você comentou sobre o Cock Crush a pouco. Gosta de crush? (Para os que não sabem, de todas as práticas podólatras, o crush – que vem a ser “esmagar” – é um dos mais controversos. Pois alguns podólatras tem o fetiche de ver mulheres pisando em mais que coisas… Até mesmo animais!)

Não!!! Nada hard. No pau, como já disse, e eventualmente em frutas, principalmente se ela mandar que eu lamba tudo depois.

:: Qual a situação mais insólita que já se meteu para conseguir os pés desejados?

(Pensou um pouco…) Certa vez durante um vôo, vi uma mulher de pés interessantíssimos. Puxei conversa com a desconhecida e me propus a massagear seus pés, sob desculpa que ela poderia estar cansada, só para ter aqueles pés em minhas mãos e, quem sabe – o que na verdade até aconteceu – dar uns beijinhos.

:: Pra finalizar. Qual a parte do corpo feminino que mais te chama atenção?

Pés e seios.

:: Seios?

Depois dos pés, é claro!

A entrevista terminou neste ponto, mas a esta altura ele já se encontrava em ereção. O que aconteceu depois? Bem… Aí é outra história.