O tÃtulo do post já diz tudo. A definição de pornografia e erotismo é pessoal. E diante dessa questão bastante controversa o jornalista LuÃs Henrique Pellanda, repórter especial da Gazeta do Povo de Curitiba fez uma vasta pesquisa sobre o assunto.
Entrevistou várias pessoas, entre elas, eu, o moço do Pinky, the Kinky e a menina do Sexto Sexo entre outros e o resultado foi uma ótima entrevista sobre Pornografia e Erotismo. Segue uma amostra do que foi ditopor lá, mas vale fuçar todos os links da reportagem, falando das diferentes visões de pornografia, e também uma enquete onde várias pessoas citaram suas opiniões pessoais sobre pornografia e erotismo.
- O jornalista e blogueiro Alessandro Martins, editor de diversos sites temáticos, se autointitula um “DJ de conteúdoâ€. E, no caso especÃfico do blog Pinky the Kinky, um DJ de conteúdo erótico e pornográfico. Com seu trabalho na internet, “radicaliza aquela máxima de Tolstói†ao cantar não apenas a sua aldeia, mas também sua intimidade. Algo que vale para quase todos os que lidam com sexo e arte na web.Â
“Todas as grandes obras de arte possuem um maior ou menor grau de erotismo, até mesmo as pietásâ€, defende Martins. “Mas, de modo geral, é considerado erótico aquele elemento artÃstico que remete à sexualidade e sugere algo à imaginação, sem necessariamente buscar a excitação sexual imediata.†Na pornografia, complementa, essa excitação seria o primeiro objetivo.
Para B., pseudônimo da escritora e editora do site A Vida Secreta, o componente erótico empresta mais vida e energia ao movimento artÃstico, já que ninguém é imune à sua influência. Ou ele nos excita ou nos incomoda. Notável, para ela, é perceber que a definição de erotismo como pornografia ou expressão artÃstica também é relativa, subordinada à passagem do tempo.
“A pornografia depende dos olhos de quem a vê, da leitura que se faz dela e do contexto em que se viveâ€, esclarece. “Quem diria que, 30 anos depois, cartazes de filmes da Boca do Lixo, o berço da filmografia pornográfica nacional, seriam considerados arte? Ano passado, na 12ª Erotika Fair, em São Paulo, havia uma sala de exposição repleta deles.â€
O entendimento do que é erótico ou pornográfico varia de uma época para outra, de geração a geração, de pessoa a pessoa. O próprio Henry Miller, lembra Martins, já foi tachado de pornográfico. Hoje é um clássico – termo que, para muitos, é apenas o inócuo antônimo de “transgressorâ€. Outra questão idiossincrática.
Fonte:Â Gazeta do Povo – Caderno G
No entanto, como muita coisa se perde na edição resolvi postar aqui a entrevista na Ãntegra, com as visões do AVS sobre o assunto (tem pitacos do Admin Secreto). No texto da Gazeta, muito do que eu disse foi citado e até mesmo corroborado por outros, mas é sempre bom ter acesso a todo o raciocÃnio.
Entrevista original d’A Vida Secreta à Gazeta do Povo – Curitiba
Primeiramente, gostaria de saber se você faz distinção entre pornografia e erotismo. Se faz, o que diferencia as duas?
Faço! “Pornografia é o erotismo dos outros”. Li esta frase por aà e adorei, pois é bem isso. Tudo o que não entendemos, ou não aceitamos, temos uma tendência a taxar de pornográfico por não se adequar à nossa estética sexual. Costumo comentar que a pornografia depende dos olhos de quem vê, da leitura que se faz e do contexto que se vive. Quem diria que 30 anos depois, aqueles cartazes dos filmes da Boca do Lixo, berço da filmografia pré pornografica nacional, seriam considerados Arte Erótica um dia? Na 12ª Erotika Fair havia uma sala de exposição repleta deles. O que hoje é uma expressão artÃstica, outrora foi pornografia explÃcita!
Para você, qual a principal função do elemento erótico num trabalho artÃstico? O que ele pode acrescentar de melhor a uma obra de arte? E o que você busca quando consome arte erótica?
Faz parte do instinto humano se interessar pelo que de maneira direta ou indireta nos remete ao sexo e erotismo. Acho que é natural ao ser humano não só instigar como se deixar seduzir pelo erotismo. Na minha concepção pessoal, o elemento erótico traz vida ao movimento artÃstico. Pois o erotismo dá uma sensação de energia pulsante, quase sempre incomoda e excita.
E o mesmo acontece na comunicação em geral como design, televisão, publicidade impressa ou mesmo moda. Sou designer de moda e quando uma peça é criada pensando na passarela, uma transparência (quase sempre) não costuma ser usada sobre algo além do corpo nu. Um mamilo à mostra traz cliques fotográficos a mais e repercussão na mÃdia. Comentários geram polêmicas, polêmicas mais comentários. O Mesmo os que, ingenuamente, acreditam não ter esta intenção, no fim das contas caem neste cÃrculo vicioso.
Tenho uma paixão especial por arte erótica fetichista de um modo geral, inclusive História em Quadrinhos e cinema. Guido Crepax com Valentina, Baldasini ou mesmo Watchmen, que está sendo lançada a versão cinematográfica e os figurinos do filme extrapolam bastante o lado fetichista da Graphic Novel.
A internet é um ambiente onde os amantes da pornografia e do erotismo se sentem muito à vontade. De uma forma geral (falando de arte erótica), como a web vem sendo mais comumente usada por quem consome essa modalidade artÃstica? Novas linguagens vêm sendo desenvolvidas? O que o erotismo e a arte erótica já ganharam com a internet e o que o futuro parece reservar a eles?
A internet revolucionou a difusão de material artÃstico-erótico e também a pornografia em geral. No entanto, o inverso também aconteceu. A fotografia digital e o compartilhamento de imagens através de foruns, blogs, sites ou redes sociais, democratizaram um estilo de arte antes limitada a exposições, livros e catálogos artÃsticos. Em nosso site (falo como equipe, pois meu sócio é Designer Gráfico e apaixonado por arte erótica também), gostamos de procurar expressões diferenciadas.
No princÃpio, usávamos imagens retiradas aleatoriamente da net, o que não é legal por ferir as leis de direitos autorais, mas redes sociais como o Flickr , que oferecem imagens com a opção de Creative Commons (alguns direitos reservados) nos deram opções interessantes e legalmente viáveis. Atualmente, as imagens usadas em banners e categorias do A Vida Secreta se enquadram todas neste esquema.
Esta busca nos levou, inclusive, a entrevistar alguns fotógrafos profissionais e diletantes que compartilham imagens por lá, como o brasileiro Ricardo Motti, a americana Diana of Tripoli, ou a italiana Erotic Views, que vamos publicar entrevista em breve. Cada um com diferentes estilos, técnicas e conceitos.
Acho que o futuro reserva é o que o presente proporciona , de forma mais intensa: colaboração, interação, compartilhamento e liberdade em buscar conhecimento para ter prazer seguro. Que é exatamente o papel que o AVS se propõe a cumprir.
Que resposta seu site tem do público? E quem é o seu público, em geral?
Falar de sexo de maneira tão clara e descomplicada, não é tarefa fácil. Parecer casual falando de assuntos sérios, pode passar a impressão que tudo o que escrevi aconteceu como um espirro, mas nem sempre é assim.
Felizmente existe pesquisa, e além de cuidadosa, sou uma curiosa por excelência. O discurso em primeira pessoa dá um ótimo feedback, afinal, sou uma pessoa normal, nenhuma psicóloga ou sexóloga que ficou estudando as esquisitices sexuais alheias através de um vidro. A maneira pessoal como escrevo, aproxima o leitor e, aos poucos, o site tem se transformado em uma grande comunidade de vidas secretas, onde pessoas dos mais diferentes locais, status, idade, crenças e formação – estimuladas pelo anonimato – enviam dúvidas e compartilham depoimentos e conhecimento. Muitas vezes a dúvida de um leitor é respondida por outros.
E este público varia do safadinho, exibicionista e/ou voyeur virtual que acaba se tornando um fã, ao que busca informação via Google e descobre no A Vida Secreta um universo de assuntos sobre sexo e sexualidade.
Para finalizar, estou produzindo uma enquete com diversos escritores, cineastas, blogueiros, atores, músicos, etc. Peço a eles que escolham dois momentos marcantes do erotismo na arte, sendo que um nacional e outro universal. Dois exemplos do bom uso do erotismo numa obra de arte. Basta citá-los.
Universal: Os atemporais afrescos surubeiros do Kama Sutra (pinturas e esculturas palacianas). Pra quem foi criado dentro de uma cultura judaico-cristã, tanta liberalidade sexual até hoje me causa certo fascÃnio.
Nacional: Peço desculpas, mas cito dois exemplos distintos: Nelson Rodrigues na literatura e Carlos Zéfiro na arte erótica em HQs com seus “catecismos”.