Em tempos de Reforma Ortográfica da LÃngua Portuguesa e tentativa de unificação do idioma entre Brasil e Portugal, recentemente passei por certo sufoco de interpretação que nada tinha relação com a reforma em si, mas sim com a diferença cultural.
Tudo começou com a citação carinhosa de uma blogueira portuguesa, Elizabeth Butterfly, que também assina B. como eu. Ela usou o AVS como referência em uma matéria sobre beijo. Quem lembra daquela pesquisa sobre a relação entre a falta de beijo e as disfunções sexuais? Pois  foi a partir daquele post, que entre outras considerações, a moça finaliza seu post com uma recomendação ao AVS:
- “Gosto desta outra “B“, aparentemente brasileira (será?) e stripper virtual (será que anda no second life, como eu?). Tenho-a seguido nas abordagens que faz no blog. Aconselho vivamente a visita, quanto mais não seja porque deve tratar-se de uma “prima“.”
O pingback me levou ao blog, que me levou ao texto, que me levou à indicação final, que me levou à dúvida. Prima?!
“Prima”, é uma das gÃrias usadas para nomear prostitutas, em alguns estados aqui na região sudeste do Brasil. E qual não foi minha surpresa ao ver que a profissão da outra B. é fazer serviços de premium escort girl?
A outra B. é uma bela, divertida e inteligente escort girl (aqui no Brasil chamamos de GP – Garota de Programa) que mantém, além do blog já citado, um site com belas imagens, bastante discretas. Aliás, seu blog também é recheado delas, visitem.
Bom, minha dúvida levou ao comentário que a outra B. respondeu em um post. E eis a confusão da lÃngua e suas diferentes interpretações coloquiais regionais. Se para nós, brasileiros, além do óbvio grau de parentesco, prima=puta. Em Portugal, segundo a outra B, prima = pessoa “com quem por uma razão qualquer temos semelhança ou afinidade particular“.
- [Pensamento em off] Sinceramente, não chegaria a ser uma ofensa se o prima em questão fosse realmente relacionado à profissão de escort, mal entendido acontece, mas realmente me falta motivação e um belo corpo (como a outra B.) para tanto.Â
O máximo que eu poderia ser, tratando da mais antiga das profissões, seria uma Domme Profissional (se disser que nunca me passou pela cabeça isso, eu mentiria). No entanto, nem pra isso dou jeito, já que por ter prazer real com o BDSM tenho o costume de só fazer o que realmente me dá prazer.  Inclusive, eventualmente restringir o prazer do outro.
Não conseguiria fazer uma cena com situações que não fossem do meu agrado. Coisas como uma chuva dourada (mijar no outro) sem vontade, infantilismo (aqueles que gostam de ser xingados e castigados como criança) ou qualquer outra modalidade do BDSM que não me agrade muito. [Fim do pensamento em off]
As diferenças nessas lÃnguas irmãs são tantas, que eu sinceramente não sei até que ponto unificá-las irá ajudar ou atrapalhar. Se dentro do próprio Brasil, existem tantos “brasis”, repleto de gÃrias e expressões ininteligÃveis no estado vizinho (no sul, pão é cacete, aqui no sudeste cacete é outra coisa… risos), quem dirá do outro lado do atlântico.
Enquanto isso, tanto lá como cá, vamos continuar confundindo (e nos divertindo) putos/crianças com putos/safados,  primas/afinidades com primas/putas, cueca/roupa Ãntima de mulher com cueca/roupa Ãntima de homem, bichas/filas com bichas/gays e por aà vai… O máximo que pode acontecer é uma boa risada devido ao mal entendido, ou uma boa história pra contar, como esta.
Beijos à minha xará portuguesa!