
Uma leitora literalmente Curiosa levantou um questionamento nos comentários do “Quero gozar agora!“, relato meu postado nos Contos Secretos desta semana.
Curiosa
Nunca experimentei fazer nada parecido, mas tenho uma curiosidade: Qual a diferença entre fetiche e tara? Se é que tem alguma. Eu por exemplo não me ligo em pés, mas adoro mãos de homem, isso é fetiche ou tara Alguém pode me responder????
Beijos curiosos
Vamos por partes, quando morei em MG ouvia as pessoas dizerem: “Fulana é meio taradinha…” e juro que, na minha mente poluÃda, eu tentava imaginar qual o fetiche ou esquisitice sexual dela… risos. Afinal, cresci aqui no RJ entendendo que tara é alguma estranha obsessão sexual. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que lá a “taradinha” em questão significava “maluquinha”. Ou seja, fiquei sem saber o que é certo ou errado. Isso até procurar no dicionário e ver que tara, entre outras coisas, é maluquice.
Já a palavra fetiche, refere-se ao ato de reverência/devoção extrema a um objeto ou parte do corpo especÃfica. Portanto, a tara de um modo geral, não necessariamente é algo relacionado ao fetiche, como o fetiche, não necessariamente é relacionado ao prazer sexual. Culturalmente, dependendo da região do paÃs, as palavras e significados se confundem, se unificam.
Não é incomum ouvir de uma mulher a expressão: “Tenho fetiche por sapatos” e o emprego da palavra nem está errado se levarmos em consideração que a palavra fetiche vem de feitiço. E quem (homem ou mulher) já não se sentiu enfeitiçado em algum momento, ou ao longo de uma vida, por isto ou aquilo?
Sobre a sua paixão por mãos, acredito (eu, B.zinha) que não é tara nem fetiche. Provavelmente você apenas tem uma maior apreciação estética por este ou aquele tipo e uma maior sensibilidade a elas (mãos). Mulheres dificilmente são fetichistas, salvo casos rarÃssimos documentados na literatura médica. Eu mesma tenho determinadas predileções (tenho uma queda por homens carecas, barba por fazer, belos pés e mãos) que a ausência de uma delas, ou mesmo de todas, em um homem não o desabona como possÃvel amante. Acredito que com a maioria das mulheres também seja assim.
Não me pergunte porque, talvez um psicólogo saiba responder melhor, mas psicologicamente falando, os fetiches (neste caso, parafilias) se apresentam quase na totalidade em indivÃduos do sexo masculino. São desejos e fixações que se apresentam na mais tenra idade e estas imagens ficam na mente dessa pessoa até a idade adulta e ao longo de toda vida, em maior ou menor grau de obsessão.
Costumo brincar que o fetichista é um meninão, que se apaixona por um brinquedo (cena – fantasia) especÃfico e ao longo da vida repete e elabora à exaustão esta brincadeira, levando-a para o campo sexual.
Ser fetichista hoje, em um mundo que a informação é acessÃvel e discutida através de livros, internet e programas de TV deve ser bem mais fácil do que há (nem precisa ir muito longe) dez anos atrás. Passei a me interessar pelo assunto há pouco tempo, menos de cinco anos, mas curiosa que sou já vivenciei e tive acesso a um monte de informação confidenciada diretamente pelos próprios fetichistas. Ferramentas como os blogs, grupos de discussão e MSN realmente vieram democratizar a informação e minimizar a estranheza de alguns.
Selecionei um texto muito bom, do Blog Podolatria Brasil, onde há um (entre alguns) relato de um conhecido podólatra e frequentador das festas cariocas. Neste relato ele diz uma frase sensacional, que inclusive dá nome ao texto: “Vou ser sexualmente diferente e desfrutar disso“. É claro que até assumir isso o rapaz passou por muitas, mas isso está relatado no texto, vale dar uma olhadinha.