Sei que vai parecer bobo o que vou dizer, mas tenho uma fantasia erótica não realizada. Nunca fui vendada. Talvez porque o ato de me deixar vendar seja tão simbólico, algo como uma entrega total, que talvez por isso eu nunca tenha me permitido viver a experiência. O texto abaixo é longo, detalhado, um desejo meu não realizado que já fantasiei tantas vezes que nem sei se caso fosse vivenciado surtiria o mesmo efeito do gozo em ansiá-lo. Se não tiver paciência ou tempo, nem leia, mas se resolver ler, delicie-se com a sinestesia das orientações.

Orientações – Texto escrito por B.
Antes de entrar no quarto ele pediu: “Por favor, feche os olhos, preciso que você sinta, antes de tudo!” e pela primeira vez em tanto tempo, foi ela quem obedeceu…
Aquela viagem foi um fato inusitado, como tudo entre eles era. Definitivamente, rotina era algo que não se aplicava aos dois. Caprichosa ao extremo, ele nunca sabia o que viria daquela mulher, um afago, um carinho, crÃticas, punições, restrições. Ela era uma montanha russa de emoções sob um rosto meigo, voz doce e olhar infantil. Surpreendê-la era sempre um risco, mas um risco que valia ser corrido, pois o prazer de conduzi-la ao prazer era mais que um gozo, um eterno desafio.
Ao entrar, ela respirou profundamente, havia no ar uma mistura de fragrâncias exóticas que se fundiam. Sândalo, almÃscar, rosas, cravos, ylang-ylang… Eram essências conhecidas dela, que sempre se preocupou com os detalhes. Os aromas eram apenas mais um deles. Estar de olhos fechados era algo novo, tantas vezes já havia feito isso com ele, mas dessa vez caminhava no desconhecido sendo conduzida pela mão, orientada sem saber qual seria o próximo passo. Por um instante teve desejo de abri-los, e disse que o faria, mas ele pediu com carinho que confiasse e relaxasse. Ela inexplicavelmente aceitou.
Com as mãos trêmulas ele vendou seus olhos e, enquanto vendava, ela segurou sua mão com firmeza e disse: “Estou aceitando a brincadeira, mas não ouse abusar, o único sentido que será privado é a visão, nada mais!” e ele consentiu com um leve sorriso. Era curiosa a necessidade que ela tinha de estar no controle. Definitivamente, ele pensou, ela precisava relaxar e se entregar ao prazer. Simplesmente sentir, confiar e se entregar como tantas vezes ele mesmo fizera. Seria uma tarefa árdua, mas o prazer de servi-la era maior. Conseguiria.
Ao fundo, bem baixinho, ela ouvia uma melodia japonesa, um instrumento de cordas. Os aromas davam ao ambiente uma atmosfera intimista e misteriosa. Podia ouvir o estalar das chamas, talvez velas, quem sabe delas vinham os aromas. IncrÃvel como os outros sentidos ficam mais aguçados quando um deles é privado. E quando ele se pôs a despi-la, sentiu um arrepio. Eram gestos delicados e calmos. Sentia as mãos dele levemente roçar em seu corpo. Cada botão da blusa desatado, o zÃper da saia aberto, os seios libertos do sutiã, os pés descalçados. Era tudo muito sensual. Para, por fim, dispor da calcinha, a última peça. Úmida de desejo, tamanha a sensualidade do ato. Mesmo sem ver, sentiu-o respirar profundamente, e sorriu, sabia que ele havia cheirado profundamente a umidade da peça recém tirada.
Para ele, despÃ-la era um ato de extrema sensualidade. Uma ereção incontrolável chegava a incomodar de tanto que latejava, fazia-o suar, tremer. Quando a liberou enfim da última peça, foi incontrolável o gesto de levá-la ao nariz, seu aroma era doce, como o seu sabor, que ele conhecia tão bem.
Era interessante. Apesar de vendada, não sabia se pela confiança que tinha nele ou pelo prazer do que estava vivendo, não havia nenhum desconforto na situação. Estava 100% do tempo conectada a tudo e se excitava até com as eventuais hesitações dele. Estava tão preocupado em agradá-la que de vez em quando esbarrava em alguma coisa e ficava quase todo o tempo pedindo desculpas. Definitivamente não era uma gueixa e riu sozinha com o pensamento.
Conduziu-a ao banho, onde preparou a ducha na temperatura exata do gosto dela. Nem muito quente, nem muito fria. Despiu-se também, calçou uma luva/esponja de banho e começou a lavá-la com um sabonete de essência de rosas vermelhas. Massageava-lhe costas, braços, axilas, seios, cintura, coxas, pernas, pés… Gastando um tempo relativamente grande em cada parte, evitando apenas entre suas pernas.
Ela se entregava a carÃcia das mãos dele em seu corpo, aquele aroma de rosas, a massagem. Aquilo a revigorava. Percebia o autocontrole dele, tinha a certeza absoluta da ereção, mas fazia parte do jogo apenas servi-la. Também evitava tocá-lo. Aquilo a excitava de uma maneira absurda, sentir aquelas mãos por todo o seu corpo. E quando ela percebeu que ele se pôs de joelhos para lavar-lhe os pés, o desejo dela foi mais forte e simplesmente falou: “Preciso gozar em sua boca agora! Vem…”
De joelhos diante dela, toda nua e molhada, sentia a ereção cada vez mais forte. E se o desejo dela era uma ordem, ele cumpriu. Sedento daquele gozo. Olhou pra ela toda nua, sem nenhum pelo e exposta, e sua disposição. Com os dedos entreabriu seus lábios e com a boca beijou e sugou-a com desejo e paixão. Com a lÃngua massageou-a, lendo em seus suspiros, respiração e gemidos a intensidade necessária para aquele gozo adorado.
Era delicioso sentir aquela boca, pensava. DifÃcil não se entregar, deixar o gozo fluir. Com os olhos vendados, as sensações eram indescritÃveis. O som da água caindo, o toque das mãos e boca em seu corpo, tudo era tão intenso que gozou rápido, forte, intensamente. Fraquejando as pernas, explodindo prazer. Ele sentiu. E ela sentiu-o sorver seu suco. Todo ele. Percebeu quando ele ficou de pé e desligou o chuveiro. Uma felpuda toalha a envolveu, aconchegando. Em seu abraço, ainda com os olhos vendados, foi conduzida novamente ao quarto deixada na cama enquanto ele se afastou para fazer outra coisa. O coração descompassado pelo recente gozo aos poucos se acalmava. E quando a respiração voltava ao normal ele mais uma vez orientou-a.
Abriu as portas da varanda, do lado de fora o suave frio da noite outonal. Era o momento de desvendá-la para partilharem aquela noite linda.
O cricrilar dos grilos se fundia ao som da música. Tudo parecia em comunhão com o universo. A luz da lua incidia sobre eles sob o céu estrelado. Diante dela uma convidativa ofurô fervilhava, repleta de pétalas de rosa, raÃzes e ervas que o aroma inebriava o ambiente, mesmo ao ar livre. À beira, um tokkuri com saquê. Ele entrou primeiro, para ajudá-la, depois ela. Abaixaram-se lentamente, deixando a água quente abraçar seus corpos nus. Deixando apenas o pescoço de fora. Sob a água, as pernas flexionadas quase junto ao corpo traziam a confortável sensação de retorno ao útero materno. E ali, a céu aberto, enquanto ele servia um ochoko de saquê, ela agradeceu emocionada.
Quando saÃram, ele mais uma vez tomou a frente, envolvendo seu corpo com a toalha e conduzindo-a a cama. Só então ela pôde finalmente ver todo o esmero com que ele preparou o ambiente. Iluminado somente por velas de diferentes cores, tamanhos, aromas. O quarto era simples, um minimalismo oriental, as portas que davam para a varanda externa, um biombo. Ele realmente pesquisou muito para encontrar aquele ambiente tão perfeito e intimista na serra a apenas 60 km do burburinho louco da cidade.
Pediu que deitasse de bruços, friccionou as mãos com um pouco de óleo de almÃscar e pousou-as com firmeza nas costas, logo abaixo do pescoço e a outra na base da coluna. Como se naquele ato as energias se fundissem. Massageou suavemente a base do pescoço, braços, costas, coxas, pernas, pés… As mãos indo e vindo. Mais uma vez evitando tocar o sexo, apenas massageando, ativando a circulação, fazendo o sangue e a energia fluir.
Com os olhos fechados ela apenas sentia, entregava-se à carÃcia. Eventualmente suspirava, gemia. Principalmente quando as mãos dele ficavam bem próximas da parte interna das coxas. Quando ele pediu que virasse, tinha os mamilos túrgidos tanto quanto o clitóris que se expunha delicadamente à fenda nela depilada. Pôde ver nos olhos dele o desejo, o olhar fixo ali, mas seguia compenetrado em sua massagem, eventualmente passando mais óleo essencial de almÃscar nas mãos enquanto deslizava-as pelo corpo provocando nela um incêndio interior.
Com movimentos circulares ele massageava o colo dela, suavemente, os seios, cintura, barriga. Que desejo incontrolável de penetrá-la, mergulhar, perder-se nela. Chegava a sentir dores no baixo ventre de tanto tesão, mas sentia necessidade de tocá-la e só tocá-la. Cada vez que mirava a região das pernas entreabertas, completamente melada, à disposição, ele arrepiava, massageava as coxas com um desejo louco de deslizar seus dedos também ali, mas segurava-se. A massagem ia deixando de ser suave e ficando cada vez mais intensa, ao ritmo da respiração dela que arfava, descompassava. Podia sentir o gozo dela iminente, o arrepio, o estremecimento do corpo, o gemido da pequena morte.
Foi um gozo intenso, sem penetração, mas absurdamente intenso. O grito veio do fundo da alma. Ela sentia o corpo inteiro pulsar em seu sexo. Retesou e relaxou o corpo enquanto ele lentamente ia massageando cada vez mais leve e suave, até parar. Foi então que ela o viu levantar mais uma vez e voltou com uma bandeja de iguarias da gastronomia japonesa. Sushis, sashimis, oshizushis, entre outros.
Pousou a bandeja na cama e com o hashi pegou um sushi, molhou no molho e levou a sua boca. Meio deitada como estava, um pouco do molho escorreu por seus lábios. Ele imediatamente aproximou-se dela e com um beijo limpou o molho que escorria, dando um beijo suave. Com o hashi, ele se serviu do sashimi, mas dessa vez não melou no molho. Com os olhos sedentos, parecia pedir consentimento, salivando de desejo olhando entre as suas pernas. Com um sorriso safado e meneando a cabeça consentiu. Ele então, molhou enfim o sashimi em seu suco. Ela sentiu o leve geladinho entre as pernas, em seu sexo, seguido de um arrepio gostoso. Ele levou à própria boca, comendo, saboreando e gemendo de prazer.
Por um tempo brincaram assim. Um alimentava o outro. Ele, servindo-a na boca, mimando-a. Enquanto isso, ela oferecia o próprio molho como presente, uma iguaria exótica. Tudo tão sensual e erótico, que era como se tivesse virado uma fonte, de tanto que melava de prazer com aquilo tudo, tanto quanto ele permanecia rijo. Chegava a ser impressionante, mesmo sem tocá-lo diretamente, podia percebê-lo melar de prazer.
E foi então que, inesperadamente pra ele, diante de tanto empenho ela teve vontade de presenteá-lo. Deitou-o à cama com a barriga pra cima e lentamente sentou nele. Com uma delicadeza absurda. Ele podia sentir cada milÃmetro de si sendo envolvido e tomado por ela. Sendo engolido, devorado. Ela se mexia com suavidade, enquanto internamente contraÃa a musculatura, não chegava a pompoá-lo, mas queria que ele se sentisse dela, nela. Com as mãos, dessa vez era ela a massagear seu tórax e num ritmo suave e constante cavalgou-o por muito tempo assim. E ali, deitado, sentindo-o todo nela, mirava seus seios que se movimentavam ao ritmo do corpo. E então, não agüentando mais, ele disse que estava prestes ao gozo.
Era uma sensação única aquele momento pra ela, um mix de sentimentos. Ternura, carinho, amor, paixão, gratidão. Com as mãos ainda no tórax dele aumentou o ritmo da cavalgada, roçando o clitóris intumescido de desejo nele. E ao mesmo tempo em que se sentia preenchida, sentia-o pulsar e explodir em gozo dentro dela. Ele gemeu alto, estremeceu, gritou. Ela um pouco depois, se entregou enfim. Até cair sobre seu corpo, suada, ainda encaixada, pulsando e sentindo-o pulsar dentro dela. Uma fusão de dois em um. Yin e Yang, um encaixe perfeito.