Tem quem ache que sou uma mulher evoluÃda quando o assunto é sexo. Não sei se é bem assim, ainda me acho bem estranha, principalmente pelo fato de crer que sexo é mais que pau na xota, cu e Cia. Ltda. Dia desses um amigo perguntou quantos parceiros sexuais eu tive. Se levar em consideração o intercurso sexual completo, o coito em si, eu tenho uma estimativa. Se contar pelos orgasmos, meus ou que proporcionei, este número dobra, quiçá triplica. E nada de homenagens masturbatórias à distância não, isso eu nem conto. Na cama mesmo, ou no mato, ou de pé num cantinho, risos, tanto faz.
O melhor do sexo é ter e dar prazer. Ponto.
Reli há pouco um de meus textos mais queridos do antigo Me and My Secret Life, The great Gig in the Sky . Nele eu relato um sexo sem sexo, se levarmos em conta a ausência do coito, mas como eu disse antes, sexo é tão mais… E acho que o que faz daquela cena sexualmente importante, excitante e interessante, foi exatamente o fato de num ato tão aparentemente comum – a masturbação simultânea – ter transcendido a necessidade da penetração como sinônimo de prazer a dois.
Já esqueci um monte de coisa que vivi, mas aquele momento ficou pra sempre.
Papai /mamãe é tão bom quanto qualquer outra posição mirabolante do Kama Sutra, o importante é dar prazer e ter prazer com isso. Pra que ficar buscando fórmula do que é sexo ou do que não é, do que é normal ou anormal? É o prazer que explica as infinitas possibilidades. O prazer do sexo lésbico, que um bando de homem fica pensando que ali falta um pau, da podolatria, da inversão de papéis, dos fetiches em geral… Não existe regra estabelecida. Normalização não é natural ao sexo. O sexo é natural, só isso.