Cena do filme En la cama

En La cama (Na Cama) – Filme

Gemidos, respirações arfadas, lençóis mexendo, câmera desfocada, sexo! É assim que começa En La cama, do diretor Matías Bize. E o que poderia ser um simples sexo casual entre desconhecidos, transforma-se numa quase terapia em dupla, já que na cama, o casal fala de tudo. E o fato de serem completos desconhecidos libera-os para usar aquele território de maneira livre e descompromissada. Um diálogo repleto de verdades, meias verdades e mentiras. É um filme de diálogo e sexo.

As cenas de sexo são bonitas, eróticas sem serem pornográficas. Além da primeira cena, que é muito mais insinuada do que vista, todas as outras são bem contextualizadas, nada gratuitas. Apesar do sexo casual, há no filme certa preocupação em mostrar que sexo é responsabilidade. Seja pelo uso constante de preservativos em todas as cenas em que acontece ou pelo incômodo e mal-estar que sucede um acidente com o preservativo que se rompe. Situação que ninguém está livre de acontecer.

– Por que me contou isso? – ela pergunta.

– Porque não vou voltar a te ver… – ele responde após uma confissão inusitada.

O filme é exatamente isso. Intensidade e fugacidade. O descompromisso com a vida um do outro faz a experiência única. O casal em uma noite vive o ciclo completo de uma paixão. E tudo isso porque a possibilidade de um segundo encontro é praticamente impossível. Li em algumas críticas comparações com Before Sunrise (Antes do Amanhecer), mas tirando o fato de ser apenas com dois atores e ser composto basicamente por diálogos, achei bem diferente.