Sobre o orgasmo

E depois daquela deliciosa sensação de quase morte que só o orgasmo nos traz. Perguntei a ele que ainda repousava com a cabeça em minhas coxas:

– Me diz… Como você sabe me conduzir de maneira tão deliciosa e certa ao orgasmo? O que faz você saber que estou me excitando, quase chegando “lá”?”

– É simples, eu apenas leio os sinais do teu corpo.

– Me explica…

– Quando me delicio entre as tuas pernas, te sinto como um carrinho de montanha russa. Que vai subindo lentamente, você vai se concentrando, ofegando, teu clitóris enrijecendo em minha boca, eu aumento o ritmo, você se entrega e quando o tal carrinho finalmente chega ao topo da montanha russa, você se solta, como quem se lança a uma queda livre, teu corpo estremece, sinto tua xota pulsar em minha boca, contrair, teu sabor muda, é mais líquido, só tenho vontade de te beber. Aos poucos te sinto acalmar o corpo, a respiração… E é delicioso quando te sinto apertar docemente minha cabeça entre as suas coxas.

Eu sempre soube o que senti quando tive um orgasmo, uma desorientação gostosa que cega e te tira do mundo por uns segundos que parecem uma eternidade, mas nunca entendi como o outro conseguia me fazer chegar lá. Como sou curiosa perguntei e recebi a resposta acima. É claro que ele é um poeta e sabe usar as palavras, mas… Fiquei encantada ao saber que o meu corpo dá sinais que podem ser lidos. Acredito que com todos os corpos é assim.

Recentemente, um leitora enviou uma mensagem onde comenta:

B. quando vc fala sobre seus orgasmos parece ser algo tão prático e bom de fato. Isso não ocorre comigo com freqüência, acho que só tive um verdadeiro orgasmo quando me masturbei pela primeira vez aos 10 anos, senti algo indescritível, mas que nunca mais voltou. É claro que estou falando sobre algo delicado com vc já que isso envolve questões de organismo e psicologia, meus orgasmos são vazios e muito rápidos, simplesmente não sei o que fazer, até prefiro os deixar de lado…

E quando eu li o texto acima me deu até um aperto no peito, sabe… Não sei nada desta leitora, idade, estado civil, nada. E pensei em até que ponto posso estar atrapalhando ao invés de ajudando ao relatar como são os meus orgasmos hoje, aos 37 anos de idade, vinte anos de vida sexual e uns cinqüenta parceiros sexuais no currículo. O prazer não é um mito. E antes mesmo de abordar este assunto aqui, enviei uma resposta curtinha:

Orgasmo é uma conquista, nossa e do outro, mas autoconhecimento ajuda. E muito! Não sei a sua idade, mas sexo passou a ser muito melhor pra mim depois dos 20 e se parar para pensar, excepcional depois dos 30. Portanto, percebo que melhora com o tempo e à medida que a gente se conhece mais.

E acredito que seja bem isso. O orgasmo é uma conquista, tanto o feminino (que tenho conhecimento de causa), quanto o masculino. Que mulher não se sente poderosa ao sentir um pau crescer em sua boca e fazê-lo literalmente explodir em gozo dentro (tem quem goste do gosto da porra) ou fora dela? Ou homem, que como o meu parceiro bem descreveu acima, que consegue ler os sinais do corpo dela a ponto de fazê-la se lançar numa queda livre de prazer? E isto, apenas citando o sexo oral, hein?! Sexo é infinitamente maior e cheio de possibilidades…

Quando me comparo à menina de dezessete anos que eu fui, iniciando uma vida sexual bem capenga, errando, tropeçando, me dando bem e mal, vejo a evolução absurda pela qual passei. Vida é experiência. A nossa vida secreta também.

Uns preferem experimentar em quantidade, outros em qualidade. Uns por amor, outros só por sexo mesmo. Não há certo ou errado, as buscas são pessoais, mas… É preciso buscar sempre, ousar, se lançar, experimentar, repetir o que e como gostar, evitar o que não foi legal e seguir adiante.

Se existe uma dica, esta é, permita-se. Permita-se conhecer (a si mesmo e ao outro), se tocar, experimentar (sem o menor medo de errar)… Acho que só assim a gente se conhece mais. E só quem se conhece bem é capaz de doar-se.


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