Jelly Jam – Conto Erótico

Fetiche do outro é coisa estranha, já dizia o Henfil. Quem diria que eu, esta mocinha pervertida que sou, encontraria algo novo neste mundo fetichista. É curioso como às vezes um estranho desfia seus segredos como quem desenrola um novelo, como se estivesse diante de um grande amigo.

Aeroporto em fim de ano é um suplício, filas intermináveis, gente aglomerada, malas, malas e mais malas de todo o tipo, das que levam bagagens às que falam sem parar. Quando aquela mocinha parou ao meu lado e começou a puxar conversa, juro que pensei em enfiar a cara em meu livro na tentativa de não dar conversa. Tudo o que eu não precisava era de mais alguém a reclamar da demora dos vôos. No entanto, eu não sei bem se foi o tom de voz amistoso, ou mesmo a maneira como ela conduziu as primeiras frases, em pouco tempo estávamos num papo agradável.

Era uma menina de uns vinte e poucos anos, o cabelo bem preto, com a nuca batidinha e fios irregulares ao estilo Victória Beckhan. Vestia jeans e camiseta branca, nos pés um coturno de salto, segundo ela para amenizar o fato de ser tão baixinha. E eu, que também calçava botas de salto, disse que fazia o mesmo, pelo motivo contrário, apesar de alta, adorava parecer mais alta. Sentia-me extremamente sexy e poderosa, como se pudesse seduzir qualquer um. E foi a partir desse comentário que mudou o rumo da nossa conversa.

“Você acredita realmente que determinadas pessoas podem exercer um poder avassalador sobre outros?” – disse ela com uma seriedade absurda, parecendo se importar realmente com a resposta que viria a seguir. E eu, com a minha naturalidade de sempre, disse apenas “Por que não?!” E como disse antes, a partir dali a mocinha começou a contar com grande riqueza de detalhes uma história que poderia arrepiar os cabelos de alguns, excitar outros, mas certamente chocar quem quer que fosse até mesmo eu. Quem diria que aquela mocinha tão comum tinha uma vida secreta

Trabalhava a dois anos em uma multinacional do ramo alimentício, começou como trainee ainda no final do curso de nutrição e, felizmente, contava com entusiasmo, foi efetivada. Lá conheceu o namorado, um moreno de aparência sem graça segundo ela, dez anos mais velho e responsável pelo setor de engenharia de alimentos. Um jovem líder muito talentoso e poderoso para a sua pouca idade. Segundo ela, desde o primeiro olhar, desde as primeiras palavras trocadas, sabia que aquele homem iria exercer uma grande ascendência em sua vida. A princípio, acreditou ser profissional, mas à medida que se envolviam, viu que não seria apenas ali.

E até então, nada do que a mocinha dizia parecia ser tão extraordinário, afinal, parecia tratar-se de uma apaixonada falando do seu grande amor, nada mais. No entanto, ela foi além, contando como se estivesse em um confessionário, experiências vividas nesta relação, inclusive sexuais. Parecia necessitar de uma ouvinte e eu fui eleita. E o que, até então, vi apenas como uma grande paixonite foi se transformando a cada palavra na relação de Domínio e submissão mais louca que já ouvi.

Era curioso, pois ela em momento algum usava o termo sadomasoquismo, como se talvez desconhecesse que vivia uma relação masoquista com um sádico, para ela, tratava-se de uma relação de prazer para ambos. Ele propunha as loucuras e ela embarcava nas fantasias. Pelo que pude perceber, não havia nada de coleiras, correntes, algemas ou apetrechos pervertidos. Tinha prazer em dar prazer, em saciá-lo das mais diferentes formas, só isso. Os olhos dela brilhavam enquanto contava o que pra mim, pareciam humilhações, mas pra ela eram provas do amor dela por ele.

Contou com um sorriso nos lábios que, eventualmente, era submetida por ele a determinadas provas ou privações. E que aquilo era o máximo. Curiosa, perguntei que tipo de privações ou provas e a doidinha continuava com aqueles olhos brilhantes contando tudo tintim por tintim. As privações iam desde a exigência da castidade – passava dias e dias sem fodê-la ou permitia que se masturbasse, segundo ele, para potencializar ao máximo a hora H – até o que achei mais absurdo, mas ela descrevia como se tivesse sido o seu momento de maior entrega e transcendência. E começou a contar.

No último feriado, viajamos para um hotel-fazenda, passamos três dias juntos num cafundó que eu nem lembro o nome. Sei que o que vou te contar pode parecer loucura, mas você tem que entender que eu o amo, sabe, e que tudo o que vem dele é especial pra mim.

Na sexta-feira quando chegamos ao hotel, como sempre o tesão era tanto que depois do banho nós literalmente nos comemos de tanta vontade. Logo depois caímos num soninho gostoso e quando acordamos, no meio da madrugada, a minha barriga roncava de fome. Fomos olhar o menu que tinha sobre uma mesa e nele a notícia que a cozinha fechava às 22h. No frigobar, apenas sucos, água, refrigerantes. Sobre ele, uma pequena cesta com aqueles pacotes individuais de biscoito cream-cracker, torradas e geléia. Ele comentou então, que de fome não morreríamos, mas dei um suspiro desconsolado, disse a ele que infelizmente, coisa doce não me mata a fome.

Foi então que percebi aquele olhar safado nele. Típico de quando vai me fazer uma proposta indecente. Sorri safadinha em retorno, mas confesso que não podia imaginar o que se passava naquela mente. Pediu que o chupasse e eu de bom grado obedeci, mas enquanto o chupava, ele comentava: “Você sabia que a porra de um homem saudável, e eu sou, além de rica em proteínas, açúcares e outros elementos nutritivos, é comparada por alguns à geléia real?” E ainda com o pau na boca, levantei os olhos um pouco surpresa, imaginando onde ele queria chegar. Já tinha engolido muitas vezes a sua porra e não era o melhor sabor que eu já havia provado. No entanto, o prazer dele em me ver engolindo era tanto, que nunca foi um grande problema, pelo contrário. Chupar aquele pau era sempre um grande prazer, e comecei a fazê-lo ainda com mais vontade enquanto ele continuava a falar cada vez mais ofegante e excitado. “Dizem ainda, que uma esporrada contém apenas 35 calorias, ou seja, ainda é light, já pensou?!” E cada vez mais excitada eu continuava naquele vai e vem, chupando, provando, punhetando, até que ele pediu que eu parasse. Sem entender, obedeci. E foi então que o vi pegar um copo sobre o frigobar e esporrar dentro dele. Só em ver aquela carinha de sofrimento e prazer ao vê-lo gozar, senti melar de tesão.

Ele então recostou na cama, ainda ofegando, levantou o copo, olhou a quantidade e comentou que devia estar meio fraquinho, pois a quantidade da porra era mínima. Lembrei-o que já havia gozado em abundancia no começo da noite e ele concordou. E eu enfim perguntei o que àquela altura já imaginava ter a resposta. “Por que você esporrou no copo, amor?” e ele calmamente respondeu “Pra te alimentar! Eu fico farto com qualquer coisa, um suco me alimenta, uma torrada com geléia, mas você… Você disse que só coisa salgada te alimenta. Sei que a porra não é totalmente salgada, mas… É quase comparada a uma geléia real, esqueceu?” E ouvindo isso tive um misto de nojo e vontade.

“Você bebeu a porra do cara, sem estar chupando? Eeeeeeeeca, guria…” Exclamei visivelmente enojada, e até me arrependi da espontaneidade, afinal ela podia se constranger e não contar o final da história, mas a menina parecia ter certo prazer em expor suas humilhações e continuou.

Não bebi, eu comi como geléia, na torrada… Sentada na cama diante dele, coloquei a cestinha de torradas entre nós e com uma calma que eu não imaginava ter, olhando-o nos olhos, muda, abri o pacotinho. Via nos olhos dele um orgulho, um prazer, uma admiração, que nunca antes havia experimentado. Passei primeiro a geléia em uma torrada e levei à sua boca. Ele comeu lentamente. Havia naquele nosso ato um erotismo absurdo e eu sentia melar cada vez mais. Para satisfazê-lo completamente, passei enfim a porra ainda morna na torrada. E enquanto eu levava à boca ele pegou a torrada da minha mão, pensei que tivesse desistido daquele estranho desejo, mas não…. “Deixa que eu te alimente…” ele me interrompeu. Segurou meu queixo com delicadeza e pediu que eu abrisse a boca. E com a outra mão guiou a torrada, até senti certo nojo, mas vi o prazer estampado naqueles olhos atentos e mastiguei, comi, engoli. Tudo isso pelo prazer dele. Curiosamente, apesar de imaginar odiar, eu amei.

Àquela altura da história eu não sabia mais o que pensar daquela mocinha. Tive tanto nojo ao ouvir tudo aquilo, por outro lado, senti por ela uma ternura absurda. Ela realmente o amava e amava dar prazer ao seu homem. Mesmo o que odiava amar. Realmente, foi uma experiência sexual e tanto… Para mim, absurda, para ela, transcendente.

E enquanto eu tentava digerir (ops, nem tanto) o que acabara de ouvir. A chamada para o meu vôo trouxe a realidade de volta. E, meio sem ter o que dizer, sorri brincando. “É… Já vi que vocês do ramo da nutrição são tão empenhados em suas pesquisas que não descansam nem nos momentos de lazer né?!” E a menina deu uma gargalhada gostosa, quase aliviada. É claro que ela sabia que havia me chocado, mas o meu comentário divertido a fez relaxar. E continuei dizendo que talvez eles pudessem desenvolver um produto novo no mercado a “Jelly Jam – Uma geléia da porra!” E me despedi enfim, encaminhando para o portão de embarque, sentindo-me a mais normal das mulheres. Sem saber sequer o nome da confidente, mas agora cúmplice da sua perversão transcedental.