A difícil arte de escrever putaria

Escrever não é fácil. É preciso ler, ler, ler e ler um pouquinho mais para, ainda assim, reconhecer que a gente não leu o suficiente. Quando há quatro anos escrevi o meu primeiro conto erótico, completamente intuitivo, pois eu não dominava em nada as práticas descritas (quanto mais as de escrita), eu percebi que para escrever sobre determinado assunto devia haver também pesquisa. Isso deve ser óbvio para quem fez jornalismo, publicidade ou letras. Tão óbvios quanto determinados detalhes práticos da minha profissão (é claro que não sou escritora) são pra mim, mas na época…

Este primeiro conto, além de ter sido postado em listas de discussão do yahoo que tratavam do tema, foi também enviado a dois amigos, jornalistas, que não curtiam as práticas descritas no texto. Enviei porque queria uma opinião, não seriam tendenciosos. E tive. Felizmente a crítica não foi favorável, do contrário eu continuaria escrevendo textões enfadonhos que iam e vinham sem chegar a lugar nenhum. Um deles sequer leu (ou leu, detestou e não quis perder a amiga) e o outro disse que se a intenção era fazê-lo dormir com as tais idas e vindas, eu consegui, pois ele não conseguiu ler até o fim da primeira vez.

Lembro que naquele dia eu fiquei super mal, porque eu achava a história boa, mas relendo, tive que concordar com meu amigo. E ele então me deu a tal dica que vale pra uma vida e para todos: “Leia, muito, de tudo! O bom texto não é aquele que prende a atenção dos interessados, mas o que prende a atenção de qualquer um. Escrever só se aprende lendo. E obviamente, escrevendo”. Ficou a dica, valeu a lição.

Quatro anos depois daquele primeiro texto, ainda engatinho, mas posso acrescentar algo que ele jamais será capaz de me dizer. Para escrever textos eróticos, é preciso muito mais que pesquisa e técnica. Eu encontro a minha medida (leiam bem, a MINHA medida) abusando de uma linguagem fácil, ágil, bem-humorada, despudorada e, principalmente, pessoal. Em tudo o que escrevo há um pouco de mim, das realidades às impressões. Sou uma contadora de causos eróticos porque tenho sensibilidade pra isso. Não sei escrever sobre o tempo, sobre a política, mas sei escrever pra excitar alguém, pra liberar fantasias e mentes.

Escrever putaria é uma arte, certamente não tão bela quanto uma fotografia, escultura ou pintura, mas, definitivamente, uma arte extremamente sedutora.


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