Este é um dos posts que estão guardados há muito tempo. Aliás, fui atualizando este post ao longo de meses, muitas vezes. É quase tão antigo quanto O Cu – Dor e prazer, o post mais lido deste blog.
De todos os meus desejos sexuais, o que até hoje ainda me traz algum incômodo, e não pela sensação, mas pela carga moral que traz em si, é o meu desejo por mulheres. Poderia até ser o BDSM, mas não é, apesar de manter também alguma reserva quanto a isso. Cresci ouvindo dizer que mulher com mulher dá jacaré. Alguém quer ser jacaré na vida?! É até engraçado, pois tal exercÃcio neurolinguÃstico é imposto pelos mesmos que nos indicam que meninas só brincam com meninas. Complicado…
Já comentei aqui que, pra mim, a heterosexualidade é uma condição social? Se não comentei, comento agora. Acho que o sexo é natural ao ser humano, seja solo, homo, bi, hetero, para a procriação ou unicamente pelo prazer. O ser humano é um ser sexual. Eu aprendi a me masturbar sozinha, e o fiz por acaso e repeti porque senti prazer, só isso. Nos disseram que ser hetero é ser normal e nós acreditamos, mas… Será que é mesmo?
Por anos a fio, eu devo ter sublimado um desejo sexual por mulheres, porque aceitar este desejo lésbico seria me submeter a julgamento e condenação no tribunal da minha consciência. Aliás, é algo tão interessante esta auto-censura, que mesmo hoje eu percebo que quando penso em sexo, a imagem que me vem à mente é homem/mulher. No entanto, agora a pouco eu li um texto tão lindo no Entremeado, tanto lirismo e beleza num texto homossexual, que me estranha eu ter algum sentimento de estranheza.
Até atentar para o fato que uma mulher poderia ser provada, o corpo feminino me era quase indiferente. Estive na cama muitas vezes a três (eu, uma amiga e um homem), acreditando que tudo era permitido, menos tocá-la ou aceitar a carÃcia. Tanto, que sequer cogitava a hipótese e era bom como rolava. Contentava-me, era quase natural, mas veja bem… Quase.
Lembro que uma noite eu tive um sonho. Em um passeio com amigos, em determinado momento, cansados da caminhada, tirávamos nossas roupas e mergulhávamos nus em uma cachoeira que formava um lago de água muito gelada. Sol e corpo quente, o mergulho naquela água era algo insano e ao mesmo tempo delicioso. Lembro que os mamilos enrijeceram e minha primeira reação foi cobri-los. Eu não sei se por vergonha, havia homens e mulheres, ou por frio. No entanto, percebi que uma das meninas da excursão me olhava diretamente nos seios, não com curiosidade, mas desejo. Aquela sensação, de objeto de desejo feminino, me esquentou as entranhas, como se contra todo aquele frescor externo lutasse um rio quente dentro de mim. Os grupos de conversa e brincadeiras começaram a formar-se e ela se aproximou de mim. Eu apesar de levemente constrangida, estava sim, muito mais desejosa. E então, naquelas situações em que só os sonhos são capazes, eu, que jamais havia tocado ou sido tocada por uma mulher, senti o corpo daquela estranha se aproximar do meu sob a água. Senti suas mãos me explorar o corpo, sem fazer nenhuma resistência, muito pelo contrário. Sem nenhum pudor me pus a acariciá-la também. E então, pela primeira vez eu senti a maciez de um seio feminino em minhas mãos, a rigidez do mamilo, e quando enfim ofereci a boca… Acordei.
Sei que o relato do sonho acima pode parecer historinha, mas não foi. Eu acordei ofegante e de lábios úmidos, mamilos túrgidos e xota melada. Masturbei-me como louca. Gozei um gozo intenso que parecia não ter fim, pois eu gozava e continuava me tocando, gozava de novo e mais uma vez… Levantei-me da cama e fui escrever o sonho, sempre tive esta mania. E eventualmente, quando eu relia aquele sonho, me masturbava. A princÃpio com alguma culpa, mas depois só com desejo.
Quando Antonio (o italiano) me fez a proposta, que eu me relacionasse com uma mulher, eu apenas legitimei meu desejo. Podendo enfim desejá-lo, sob a desculpa de estar saciando o desejo do meu homem. Só que não aconteceu assim. Minhas buscas acabaram sendo Ãntimas e pessoais. Nunca realizei com ele a tal proposta, no entanto, foi a partir dele o start pra tudo. Hoje não nego o desejo, mas percebi que nunca me envolvi com uma mulher ao extremo da paixão apenas eu e ela. Ainda que acredite ser possÃvel, mas até hoje sempre aconteceu de rolar em trios. Às vezes acho que foi a minha maneira de fugir do comprometimento. Pode parecer, pela maneira que falo aqui que sou uma grande expert em mulheres, mas não sou. Salvo uma deliciosa relação real com a T. e o marido, algumas brincadeiras virtuais (com a B. e a P.) e a minha participação em trios (inclusive também, sendo a terceira uma profissional), a minha única grande paixão lésbica que vivi foi por um hermafrodita virtual na internet, que até hoje não tenho a certeza se era ele ou ela (os indÃcios me levaram a crer que era um homem passando-se por uma mulher). Vejam só…
Tá certo que eu não sei se aguentaria uma outra TPM no mês. E pior, que não seja a minha. Ou o controle, os joguinhos e estratagemas tÃpicos que só o sexo feminino é capaz. No entanto, não há como negar as sensações do feminino em mim. A boca que vem com tanta suavidade em meu corpo, os seios que ao roçar nos meus causam um arrepio indescritÃvel. Os dedos que instintivamente sabem descobrir meu ritmo e intensidade até o orgasmo. E sabor?! Ah, o sabor… O sabor de uma mulher não tem igual. Só depois de provar uma mulher eu entendi a paixão e o fascÃnio que os homens tem por nós.
Certa vez na terapia, minha psicóloga perguntou por que eu, uma mulher tão desencanada sexualmente, não me permitia viver uma paixão e relação homossexual e a minha resposta foi: “Medo!†E como todo psicólogo ela repetiu em pergunta: “Medo?†E então, pela primeira vez eu assumi que a minha resistência, não era pelo medo de gostar da situação e enfim assumir-me lésbica, mas sim pela possibilidade de não gostar tanto da relação quanto gosto do sexo sem comprometimento. E assim, ter que reconhecer minha completa inabilidade e falta de traquejo em qualquer relação. Seja homem/mulher (sim, tirando a cama, sou um desastre) ou mulher/mulher. Já pensou?! Lembro bem dela rindo e dizendo que qualquer relação é complicada, seja homo ou hetero, de amizade ou fraterna. Acabei sorrindo também.
Isto ou aquilo… Só sei que é complicado pra mim. Aceito o desejo, aceito o prazer, mas só aceito o momento. Felizmente hoje a bissexualidade é mais aceita. Principalmente a bissexualidade feminina. Caiu por terra o estereótipo que mulher que gosta de mulher tem que ser machona. E mesmo que seja, pra cada tipo de expressão tem seu par. Eu prefiro mulheres inteligentes e sexies. Alguém que atice meu desejo antes, me seduzindo a mente, e que me realize durante, me seduzindo o corpo…
Lésbica, eu?! Quem sabe… Eu nunca digo nunca! Por enquanto, e já é coisa pra caramba, só assumo que gosto de meninos e meninas. De maneiras diferentes, mas em igual intensidade. Só o tempo me trará respostas, ou não…