O Alto da Boa Vista é um bairro do RJ, faz divisa com a Zona Norte (Tijuca), Zona Sul (São Conrado) e Zona Oeste (Barra da Tijuca). A temperatura é amena, onde apresenta as mais baixas temperaturas da cidade, nem parece RJ, clima de Serra em plena Cidade Maravilhosa. Do Alto temos uma das mais belas vistas do RJ e à noite lá é um convite aos namorados, ou pelo menos era. Não sei mais, tem anos que não vou lá. Ali vivi uns momentos gostosos de encantamento com S. Momentos que, se analisados com o meu olhar de hoje, foram relativamente simples, quase pudicos, mas que em uma fase de descobertas tiveram um encanto especial.
S. era um colega de trabalho da minha mãe, dez anos mais velho que eu. Quando o conheci era bem menina, uns dezesseis para dezessete anos. Já naquela época nos paquerávamos, mas não rolou na época. Talvez porque eu fosse muito menina, talvez porque na época ele namorasse a gostosona da empresa, não sei.
O que sei é que anos depois nos reencontramos, já não era mais tão menina, mas também não era tão mulher. E pra mim, o S. era um HOMEM. Já tinha sido casado duas vezes (uma delas com a gostosona que ele namorava quando o conheci), tinha uma filha do primeiro casamento já quase uma mocinha, histórias e mais histórias de vida para contar. Enquanto eu, ainda estava na faculdade tentando ser alguém, com uns namoradinhos (quase todos na minha idade) no currÃculo, mas nenhum homem feito como ele. Essa era a verdade.
Nosso primeiro encontro foi no Alto da Boa Vista, no Vale Encantado. Um bar que tinha uma espécie de mirante, onde se tinha uma das vistas mais lindas da Barra da Tijuca como já disse. Um ventinho delicioso dava ao momento a busca de intimidade necessária para um primeiro encontro. S. pediu um vinho pra ele, que eu não acompanhei, pois nessa época ainda não bebia. Pra mim, ele indicou uma batida de vinho deliciosa, que o rapaz do bar disse que era fraquinha, mas que me deixou tonta mesmo assim.
Por um tempo ficamos ali, conversando, vendo a paisagem, sabendo mais um do outro. Rindo, chamegando, mas… Nada de beijo. Aliás, tão delicioso quanto beijar é ansiar pelo beijo do outro. E até então, estava sendo tão deliciosa a corte dele à mim, que eu simplesmente curtia cada momento.
Teve então um momento que emudecemos. Talvez porque o silêncio pudesse falar mais que nós. Olhei em volta e o que vi sob a lua e aquele céu estrelado, foi uma cena linda. Todos os casais, e só havia casais ali, estavam se beijando. Sem perceber dei um suspiro. Ele então pergunteu por que eu suspirava, eu sorri meio sem graça, mas comentei: “É que olhei em volta e vi que todos os casais estão se beijando… Menos nós.†E ele então acariciou minha face, aproximou o rosto do meu e disse: “Não seja por isso…†e me deu um beijo delicioso, mas tão delicioso, como se aquela boca tivesse nascido pra minha.
Nunca cheguei a namorar o S., apesar de ter saÃdo mais algumas vezes com ele. Chegamos inclusive a maiores intimidades, mas curiosamente quando eu lembro dele, lembro daquela noite de encantamento, onde um simples beijo foi o ato mais esperado.
Me and My Secret Life é o meu divã, e deitada nele agora digo olhando para o nada, para mim. Sinto que estou precisando disso, dessa pureza, deste encantamento.