Sede de que?

Pronto, foi só me chamarem de máquina do sexo que eu entrei numas de reflexões. Mulher sacana refletindo é foda. Desculpem o palavreado, mas é foda mesmo. Principalmente porque entre a repressão e a liberação sexual feminina, nos empurraram pela goela um monte de conceitos morais ridículos – até necessários, reconheço – que quando vêm à tona parecem até aqueles geisers do Parque Yellow Stone. Nossa! Lembrei do Zé Colméia agora, mas… Vamos voltar ao assunto.

Está na cara que estou em crise existencial, né? Ou seria sexual?! Sei lá… Sei que de vez em quando eu paro e repenso todos os meus valores, experiências, lembranças dos prazeres e principalmente das sensações pós-safadezas e vem um resultado meio doido, que nem eu entendo, mas que quase sempre culmina numa seca total de idéias e sensações.

Às vezes me sinto como um daqueles açudes nordestinos bem esturricados pela seca, necessitando da água, a espera dela, mas sem nenhuma noção de quando ou se ela cairá. Isso vai dando uma ansiedade absurda que ao vislumbrar qualquer outdoor de chuva a boca enche d’água e eu já penso que irei saciar minha sede. Fico com uma vontade louca de mergulhar nele, esquecer que é um outdoor e cair dentro, me molhar.

Do sexo eu conheço de tudo um pouco. O que pra muitos é água Perrier, pra mim virou água do filtro de tão natural. Gosto de um monte de coisas, detesto outras e algumas me são completamente indiferentes. Aceito um tanto, finjo aceitar outras e algumas vivo em eterno conflito.

Do amor, nada sei… Deve ser mal de trintona mal-resolvida que priorizou carreira, não teve filhos, voltou pra casa da mamãe, às vezes bem diz isso e noutras mal diz. Posso até ter sido mal-amada, só não fui mal-comida, pelo menos quase sempre, alguma coisa tinha que compensar, né?!

Recentemente uma amiguinha de 19 anos me disse: “B. o amor não se acha. A gente vai vivendo e ele encontra a gente. Por acaso, nada programado. O amor acontece.” Putz! O pior é que sei que ela tem razão. Senti-me uma formiguinha. Não sei se pensava assim aos 19 anos, se dava dicas às minhas amigas de 36, mas… Valeu!

Dá proxima vez que eu sentir sede, vou pensar: “Tenho sede de que?” e tentar não confundir alhos com bugalhos. Só isso.