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Cross Dresser – pessoas que, regular ou ocasionalmente, usam roupas que socialmente são vistas como sendo usadas por pessoas do sexo oposto. Geralmente estas pessoas sentem-se bem com o seu sexo biológico e não querem mudá-lo. Contrariamente à s crenças populares, a maioria das Cross-Dressers dizem-se heterossexuais.
Não lembro a primeira vez que tive consciência que pessoas se travestiam, homens ou mulheres, mas deve ter sido no carnaval, vendo o bloco das piranhas (homens vestidos de mulher), que quase sempre era escoltado pelo bloco dos machões (mulheres vestidas de homens), tradição normal no bairro onde moro. No entanto, sempre achei tudo uma grande brincadeira, quase sempre as pessoas travestidas eram uma caricatura da realidade.
No começo da década de oitenta eu era amiga de um gay, uns quatro anos mais velho que eu. Nós passávamos horas na casa dele, trancados no quarto conversando sobre música, roupas e homens. O mais interessante é que desde novinha sempre achei os gays amigos mais sinceros e fiéis do que mulheres. Nestas nossas tardes, certa vez por pura brincadeira eu perguntei se ele queria ser maquiado. Não era carnaval, mas eu perguntei, porque sentia nele esta necessidade, só que sabia que ele não tinha coragem de pedir. E assim foi, fiquei horas maquiando e tratando-o como mulher. E ao final, olhando-se no espelho ele chorou emocionado, me dando um forte abraço em agradecimento. Menos de um ano depois este menino morreu afogado, vÃtima de uma brincadeira de mau gosto em um acampamento. No entanto, eu sei que aquele dia que o maquiei, não como uma caricatura feminina, mas como uma mulher de verdade, foi talvez o dia mais feliz da sua vida. E eu me orgulho em ter sido eu a proporcionar tal sensação.
Ao longo da vida eu tive contato com outros amigos gays, obviamente fiz meu papel de fada-madrinha sem vara de condão, e cheguei inclusive a convencer meu irmão, que é fotógrafo, a fazer um ensaio com um amigo cabeleireiro, que até hoje quem vê, jura tratar-se de uma mulher. Só muito recentemente, há menos de cinco anos, tive contato com heterossexuais convictos que tem prazer com o cross dresser. Fiz amizade, busquei entender e há pouco tempo, menos de dois anos, tive o meu primeiro contato sexual com uma e posso assegurar que é algo completamente diferente do sexo heterossexual ou homossexual.
Tive dois contatos distintos. Uma delas conheci no Orkut. Era casada, dois filhos, seu fetiche é mais voltado para a fantasia da bailarina. É seu referencial. Como é também masoquista e submissa, há também a fantasia da empregadinha, bem sissy maid, algo que em uma tradução livre seria uma empregadinha efeminada. Esta CD em especial, gosta de ser humilhada como sendo a minha “bichinha particularâ€. SaÃmos umas três vezes. Em sua fantasia ele gostava de imaginar que eu o forçava a ser uma mulher e exigia dele esta condição. Expressões como: “Você não tem vergonha de estar na minha frente vestido de mulherzinha e pau duro?!†ou “Ande direito, desse jeito você parece uma caricatura de mulher!â€, deixavam-no visivelmente excitado. Gostava de ser acariciado no cu, ser ignorado em carÃcias no pau, ser humilhado, adorar meus pés, no entanto a única vez que tentei enrabá-lo com um plug anal, que seria o máximo de sua feminização forçada, ao sentir dor ele falou grosso feito macho, disse não e quase gritou que eu respeitasse o seu limite. Naquele dia eu percebi que a fantasia e suas convicções heterossexuais estavam entrando em conflito. Desde então nunca mais saÃmos. Eventualmente conversamos no MSN, onde ele escreve em cor de rosa, é tratada como menina e sempre me conta seus eventuais vexames na aula de alongamento, onde é o único homem entre tantas mulheres.
O outro caso era bem interessante, conheci no Alt.com. Solteiro, mas com namorada, só havia se vestido de mulher diante de prostitutas que ele pagava para que o vissem andar de um lado para o outro do quarto de hotel. Homem inteligente, bonito, extremamente másculo, só entre quatro paredes ele se mostrou fêmea, inicialmente uma lady, posteriormente uma puta. Havia nela esta dualidade, esta necessidade em ser uma mulher bela e interessante, e na cama transformar-se na submissa capaz de tudo para dar prazer. Com esta CD em especial, eu tive um grande prazer, pois pude ignorar completamente tratar-se de um homem (apesar de ser um homem bem dotado) e pudemos concentrar nosso prazer em carÃcias. Passamos horas em sua caracterização, fizemos fotos (é ela na foto acima), tomamos vinho juntas, conversamos… Com ela, fiz sexo como com uma mulher, a proibi de tocar-se (no pau) e todas as carÃcias que fiz ou exigi foram como se fosse um sexo lésbico. Só saÃmos duas vezes, moramos em cidades diferentes o que dificulta muito a nossa disponibilidade, mas somos amigas até hoje.
F. também é cross dresser. É casado, não tem filhos, mas vive um casamento aberto, eu inclusive conheço sua esposa que é um doce de menina. Ele também é masoquista e submisso, além de exibicionista. Nos conhecemos em uma festa fetichista e nos encantamos um com o outro. Somos amigos, mas entre nós há uma tensão sexual, uma ansiedade. Já tivemos breves momentos de Dominação em festas, mas nunca estivemos a sós realmente. Na semana passada F. me deu o bolo porque teve medo. Um medo absurdo de não me satisfazer sexualmente como homem (como se eu esperasse isso dele…), porque para ele, que nunca conheceu uma mulher como eu, que tem prazer não apenas com a penetração, mas com todo o jogo sexual em si, sexo entre homem e mulher, sempre tem que acabar em trepada. O que não necessariamente precisa ser assim.
Sou uma mulher especialmente interessante. Gosto essencialmente de homens e também tenho desejo por algumas mulheres, isso sem contar as cross dressers, que são um misto dos dois. Acho o sexo com ambos delicioso e especial em suas diferenças. Também gosto do jogo de Dominação e submissão, mas não é via de regra para nenhum relacionamento meu. A única via de regra é o prazer, meu e de quem estiver comigo, de resto tudo é discutÃvel e negociável. Ainda bem…