Meu Momento Fani

Adoro BBB, Big Brother Brasil, sou voyeur (tanto quanto exibicionista) por natureza. Podem me dizer que aquilo não me acrescenta em nada (e não acrescenta mesmo), mas me entretém. E assistindo o terrível dilema da moça de Nova Iguaçu, em ser ou não ser uma “empata foda” em rede nacional, lembrei de um caso, onde fui tão Fani quanto ela mesma.

Para os que não assistem o BBB 7, Fani protagoniza com Diego e Íris um triângulo amoroso. Íris, menina bonita, mas com auto-estima baixíssima, é recém saída de um relacionamento de dez anos com um namorado opressor. Usa o BBB 7 como um trampolim para a fama, vê na fama a saída e solução para todos os seus problemas. Não sei se tenho pena ou raiva da Íris. Fani é uma mulher, apesar de mais nova que Íris. Analisada, conhece o seu poder de sedução e faz uso dele. De bem com ela mesma, parte para o ataque sem dó nem piedade. No fundo é medo da solidão, mas se fosse aqui fora, ninguém nem teria percebido. Tem um grito de guerra: “Uhu, Nova Iguaçu” e vai pra cima. Isto é, até ver a si mesma como objeto sexual nas mãos de Diego, que colocou Íris num altar de adoração e Fani em seus braços. Com uma é sentimento, com outra é sexo (Será?!). Diego é o típico homem comum, que quer as duas, se pudesse em uma só, se pudesse mais ainda as duas em sua cama. E viveriam felizes para sempre. Mas BBB é um jogo da vida real, não sei até quando este triângulo funciona, dentro ou fora da telinha.

Meu momento Fani aconteceu há uns dez anos era um feriado de São Sebastião, eu e mais sete amigos passamos três dias na casa de praia de A.. Homem inteligente, interessante e dono de uma educação refinada, ele era amigo de uma das meninas do grupo.

A. era interessado em F. que era interessada em um outro A. que bicava todas e não namorava ninguém, mas ela não perdia a esperança. É claro que F. sabia do interesse de A. por ela, só que não fazia nada pelo romance. Adotava uma postura de que ele era um super amigo, irmão mais velho, quando na verdade ela levava o interesse dele cozinhando em banho-maria e tirando proveito de tudo o que ele pudesse oferecer. Isso me deu certa antipatia por ela e só me atiçava a querê-lo mais e mais. Me interessei por A., mesmo sabendo que o foco dele era F.. De todo o grupo ele era o único que me interessava, todos os outros eram muito jovens, com ele tive empatia, boa conversa e ele não foi indiferente a mim. Porque não tentar?

Na primeira noite na casa fizemos uma festa. E como eu não sou de esperar as coisas acontecerem, cheguei em A. para jogar conversa fora. Papo vai, papo vem, sedução pra lá, sedução pra cá, nos beijamos, é claro que por uma iniciativa minha, mas… Ambos gostamos e ficamos. Só que a tal mocinha, a F., vendo ele me dando uns beijos, fez ares de ofendida, foi pro canto, chorou, fez beicinho e disse que eu “me meti na história deles”. O que na verdade eu fiz mesmo, reconheço. Ela continuou dizendo que eu não tinha o direito já que ele era a fim dela e disse mais um monte de besteira que me encheu. E o assunto dos beijos entre eu e A. caiu na roda e virou ponto principal da festa.

Depois da ceninha dela ele ficou desconcertado, acho que no fundo estava um pouco surpreso, tinha causado ciúmes nela. O que era ótimo para um relacionamento que não atava nem desatava. Enquanto eu virei vilã, simplesmente porque fui à luta por um cara que estava à fim. Ele não ficou comigo amarrado e ela só não havia ficado antes com ele porque não quis. No fundo, ambos precisaram da minha ação para ter qualquer reação. E tiveram. Após uma lacrimogênica cena de pedidos de perdão da parte dele e uma quase recusa, culminando com o sim piedoso da parte dela. O casalzinho ficou em lua de mel durante o feriado.

Meu fim de semana foi uma droga dentro da casa. Tive que agüentar os olhares atravessados o tempo todo de todo mundo. E só não ficou pior, porque eu não fico dando assunto para fofoca e agilizei minha vida por outros lados. Conheci um publicitário na beira da praia que me manteve ocupada e longe dos arrulhos dos pombos em questão.

E só pra finalizar. Quanto tempo durou a lua de mel? A infinidade daquele final de semana. No final de semana seguinte o outro A. sabendo do romance na casa de praia resolveu se chegar também à F. que a princípio, pelo que eu soube, tentou ficar com os dois e formar um outro triângulo, só que A. quando descobriu caiu fora. E quanto a mim?! Troquei telefones com o publicitário, que nunca ligou e nem eu, mas que pelo menos serviu para me entreter naquele desconfortável “Momento Fani” da minha vida