
O ano de 1987 estava só começando, era meu segundo carnaval brincando em clube, no anterior eu tinha ido a apenas duas matinês e tinha amado. Vale lembrar que eu fui uma adolescente tÃmida, com auto-imagem distorcida e este foi o ano que eu considero o primeiro do resto da minha vida. Minha mãe havia deixado que eu fosse aos quatro pré-carnavalescos, ensaio da Portela. E eu que já gostava da azul e branco, agora amava. Bordei dois belÃssimos sutiãs, um branco e outro preto para alternar, shortinhos de cetim, calcei um salto doze e caà na farra.
Tinha arrumado um namoradinho oito anos mais velho que eu, primo do namorado da amiga, ele era feinho, mas como eu adoro um homem feio estava fazendo a festa. Ficamos juntos em todos os bailes anteriores, para mim era claro, quase óbvio, que nosso carnaval seria junto. Que engano… Mal cheguei ao clube dei de cara com ele beijando um tribufu. Nem sei se fiquei P da vida com o fato de descobrir que ninguém é de ninguém no carnaval, ou por ele ter beijado a garota mais horrorosa do salão. Não agüentei e cheguei junto, dei dois toques no ombro dele, disse “Oi!†e virei as costas. Nem preciso dizer que teve uma quase cena, ele pediu desculpas, colocou a culpa na bebida e lançou mão do bordão: “Dá um desconto, é carnaval…†Parei, pensei e concordei, sim, era carnaval. Combinamos então só voltar a conversar ao final dele e que durante os quatro dias seria cada um para o seu lado. E assim foi.
Já tive muitos carnavais deliciosos, sempre fui uma foliã. Segundo minha mãe aos seis meses de idade eu já me balançava no colo dela ao som de “olelê, olalá, pega no ganzê, pega no ganzá†E o melhor de tudo, sempre movida a água mineral, nem cerveja eu tomava em carnaval porque sempre gostei de ter pleno controle das minhas ações e jamais culpar a bebida, como o indecente do meu quase-namoradinho. Começava ali o melhor carnaval da minha vida. Um carnaval sem bebida, sem sexo, repleto de descobertas e beijo na boca. Em uma época que os beijos na boca eram o máximo de ousadia que eu tinha em meu currÃculo sexual.
Já naquela noite eu comecei a diversão. Descobri que a coisa mais fácil do mundo era beijar uma boca no carnaval, algumas reboladas e um sorriso eram o que bastava para aproximar-me e lascar um beijo. E já que era carnaval, nada de selinhos. Eram beeeeeeeijos, deliciosos, lambidos, molhados. Eram diferentes homens, diferentes bocas, diferentes corpos roçando no meu, diferentes volumes encostando-se a minhas coxas. Até aquele carnaval eu nunca tinha percebido o quão diferentes eram os homens em seus sabores, aromas e paus. Naquela primeira noite beijei cinco rapazes e nunca senti uma sensação maior de liberdade do que naquele dia. É claro que eu era observada de perto pelo meu quase-namoradinho que, por pura incompetência, ficou com a feia por toda noite.
E eu que pensei que a primeira noite já havia sido o máximo, a segunda mostrou-se muito melhor. Já em meu bairro, antes de ir para o clube, naqueles coretos que montam para tocar marchinhas de carnaval eu arrumei um menino pra beijar, primo de uma amiga, também bem mais velho que eu. Aquele foi talvez o meu primeiro professor. Como eu estava na fase das experimentações, não pensei duas vezes quando ele me convidou para dar uma volta de moto. Paramos no meio de um campo de futebol que tinha próximo à minha casa, repleto de namorados e nenhuma iluminação, só a lua por testemunha. Aquela boca foi a primeira a provar meus seios e a me mostrar o tesão que uma mulher sente em ser mamada e acariciada.
Deitei no meio daquele campo de futebol, sobre a blusa dele, olhando as estrelas e sentindo os seus lábios a percorrer meu corpo. Ele tinha as mãos leves, apesar de ásperas, acho que era por causa da moto. Acariciava-me como quem toca um bibelô de porcelana e me beijava de uma maneira inicialmente suave e depois cada vez mais intensa, como se quisesse fundir-se a mim. Abaixou as alças do meu sutiã deixando os mamilos eriçados de tesão. Beijava-os com tanta delicadeza e ao mesmo tempo com tanta vontade, percorria-os com a lÃngua, eventualmente dentes me causando um leve arrepio. Quando se aproximava das axilas dava uma sensação de cócegas e eu retraÃa um pouco o corpo, sorrindo. Comentei que estava sentindo cócegas e ele brincou que “cócegas seria até os dez anos de idade, à quela altura, era tesão mesmo†e eu me permiti sentir tesão, pela primeira vez em minha vida com outro alguém.
Dava pra perceber que ele era muito experiente e se não ousava muito mais é porque conhecia a mim, minha famÃlia e sentia que aquelas leves carÃcias, eram o máximo de ousadia que eu experimentara até então. Não era abusado, só tocava onde eu permitia e parecia sentir muito prazer em me mostrar o que era prazer. Deixei que me tocasse sobre o short, ele me sentiu úmida e sorriu. Perguntei se podia tocá-lo também e sobre a calça comecei a acariciá-lo, só que eu queria mais e sem perguntar, enfiei a mão dentro da calça dele e senti o pau dele pulsando em minha mão. Ele deu um suspiro profundo, sorriu, abriu a calça e me mostrou como eu podia acariciá-lo melhor. Senti seu pau melado, perguntei se já havia gozado e ele riu, era lubrificação, uma preparação para a penetração. Retesei o corpo dizendo que era virgem e ele riu muito, dizendo que eu não me preocupasse nada aconteceria sem a minha autorização.
Ainda ficamos muito tempo ali, nos acarinhando, excitando. Ele chegou a ficar sobre mim, simulando uma penetração entre as minhas coxas. Era delicioso sentir aquele pau quente, duro e melado me roçando, enquanto sua boca deliciosamente me beijava. É claro que em determinado momento ele não agüentou, estava com muito tesão, perguntou se eu queria ajudar ele a masturbar-se. Eu ri sem graça, mas quis fazê-lo. Ele ficou sobre os joelhos e eu fiz o mesmo, só que por trás dele, roçando os meus seios nas costas dele. Ele colocou minha mão em seu pau e pediu que eu a deixasse leve, enquanto ele colocava a dele sobre a minha, conduzindo-a, num vai e vem. Eu observava tudo muito curiosa e ao mesmo tempo excitada com a cena. Beijava-o nas orelhas, mordiscava-o, até ele aumentar cada vez mais o ritmo da minha mão, dar uma suave compressão e eu ver esguichar a porra do seu pau. Um jato, um gemido, uma grande descoberta. Prazer!
Voltei para o coreto me sentindo desnuda, sentia como se tivesse um holofote sobre mim. Eu estava igual, mas diferente. Tinha gozado, tinha feito alguém gozar. Era muito estranho, mas muito delicioso. Fui para o clube, me sentindo ainda mais poderosa e livre. Olhei para o meu quase-namorado de maneira vitoriosa, dessa vez não mais com a feia à tiracolo e sorri.
Quando o carnaval chegou ao fim eu havia beijado dezesseis bocas em repetidas vezes, experimentado coisas novas e descoberto que era uma mulher extremamente desejável. Aprendi a sentir e dar prazer, e aprendi principalmente com a famosa máxima do carnaval “ninguém é de ninguémâ€, que quem saiu ganhando fui eu. Inclusive a confissão assumida do meu quase-namorado, que morreu de ciúmes e terminou o carnaval ao meu lado, de mãos dadas e cara feia para quem tentasse se aproximar de mim. E quanto ao meu primeiro professor, ainda saÃmos muitas vezes mais, aquela foi só a primeira vez.