Sempre a Última Vez

Aqui falo muito dos meus encontros e desencontros passados, principalmente os mais fugazes, porque foram os mais intensos. Eu nunca saio com alguém com a incerteza de um segundo encontro, ao contrário, tenho sempre a certeza que pode ser o último e talvez por isso eu sempre me divirta e faça do momento algo especial. Sabe aquela música do Moska: “Meu amor, o que você faria se só te restasse um dia?”, sempre penso nisso, e por isso sou tão intensa. Quem acha que sou uma medrosa em não dar segunda chance aos melhores, tem toda razão, confesso. A mesma coragem que tenho em ousar, me falta quando o assunto é envolvimento emocional. Morro de medo de me apaixonar. Apaixonada eu sou boba, previsível, e eu odeio isso. Só que nem com todo medo fico imune a ela, sou apaixonada por me apaixonar. Contraditório né?!

Acabo sempre dando o meu jeito para não medrar, e uma estratégia comum é jamais ter o outro como namorado, por exemplo. É amigo, é escravo, é uma trepada inconseqüente, mas namorado não! Vivo dizendo que preciso de um, mas quando vejo, já espantei meia dúzia. E assim eu vou conseguindo longevidade em meus relacionamentos. Já me relacionei com uma mesma pessoa, ao longo de dois anos. Foi meu recorde inclusive em fidelidade, sou muito fiel quando apaixonada. Era o meu único, só saía com ele e, no entanto, jamais o reconheci como namorado. Vivia feliz, apaixonada, contente, sem ciúmes… Das vezes que namorei fui insegura e ciumenta demais e isso acabou com tudo. Quem procura acha, diz o ditado acertadamente. Não aconselho ninguém procurar.

Tenho hoje dois relacionamentos com pessoas que eu amo e confio. Um casado, bem mais velho que eu, digo que nossa relação é incestuosa, porque eu sou meio filha, amante, amiga, meio tudo e meio nada. Já estamos juntos a mais de ano. E o outro é o meu escravo masoquista, mais de dois anos e eu nem acredito. São relacionamentos leves, de prazer, sem compromisso, mas que me confortam e completam quando preciso. Com nenhum deles esperei ter uma segunda vez, e sem perceber o tempo passou e teve terceira, quarta, quinta… Cada vez é única e é isso que faz nosso relacionamento especial. É como se fosse sempre a última vez. Vai entender?!