
Quando eu tinha uns 14 anos, descobri o que toda adolescente descobre ao olhar-se no espelho, ou seja, que não é o que gostaria de ser, mesmo sem saber exatamente o que de fato gostaria.
Era a mais alta, mais séria e intelectualizada entre as amigas. Nessa época cursava o segundo grau, vestia a minha roupa de normalista e não tinha seios, coxas ou bunda suficiente para fazer jus à fama de gostosa que mexe com o imaginário masculino. Todas as amigas eram mais bonitas e populares que eu. No entanto, apesar de em muitos momentos me sentir uma ET, aos poucos fui descobrindo que o meu diferencial a ser explorado era exatamente este, ser diferente de todas elas.
E como eu nunca fui burra, descobri que muito melhor do que ser a mais bela era ser a mais interessante. É claro que isso era auto-imagem distorcida, coisa tÃpica de adolescente, mas no final saà no lucro, afinal fiquei ainda melhor.
Aos poucos percebi que a verdadeira sedução não está em roupas ou atitudes extravagantes, muito pelo contrário. A sedução é algo sóbrio, analÃtico. Seduzir é observar, perceber e fazer uso desses dados em favor do jogo. Pude notar também que era mais interessante ser um amor à segunda vista do que uma paixão enlouquecedora. Que é gostoso chegar aos poucos na vida e na mente do outro, sem este perceber. Criar momentos, inventar motivos, cercar com grades invisÃveis, dar corda para no momento certo puxar e enlaçar o outro.
A tática adotada depende de pessoa para pessoa, ou de momento pra momento quando o seduzido é um só, e isso faz do ato de seduzir uma tarefa excitante e nunca monótona. Ser uma sedutora tem sido delicioso na grande maioria do tempo, apesar de me meter em alguns apuros de vez em quando, me sinto bem em conquistar e mais ainda em manter. Seduzir é uma arte e eu sou uma artista.