image by roger baker - woman and sex toys

Sex Toys I

Me masturbo desde os 9 anos, eu acho. Digo acho, porque só descobri o nome do que eu fazia, masturbação, quando li aos doze a enciclopédia Vida Íntima da Editora Abril Cultural, um ícone da sexualidade nos anos oitenta. Masturbava-me com o jatinho de água do bidê. Foi um achado quando eu descobri que o jatinho d’água em determinado lugarzinho, provocava um comichão dentro de mim que me entorpecia e dava prazer. O lugarzinho era o clitóris, invenção maravilhosa do criador.

Daí para novas descobertas foi um pulo. Já estava dando bandeira em ficar sempre um tempo a mais no banheiro e minha avó era daquelas que dizia que criança sozinha não tava fazendo boa coisa. Daí parti para novas técnicas, técnicas que pudesse fazer uso a qualquer hora, em qualquer lugar, só precisava estar só. Mais tarde descobri que podia fazer acompanhada também, e que alguns tinham tanto prazer em ver, quanto em fazer.Meus dedos logo aprenderam o tal lugarzinho descoberto pelo jato d’água, meu primeiro amante. E dedilhando, mexendo, me tocando, logo descobri a maneira mais gostosa e a melhor intensidade do movimento dos dedinhos para chegar lá.

Quando comecei a namorar, logo descobri que beijar na boca roçando na coxa do rapaz, me esfregando, também dava uma ótima sensação. Demorei muito tempo até permitir ser tocada por um deles e, infelizmente, cheguei à terrível constatação que me tocava melhor que eles a mim. Pensava que não era normal. Preferia me estimular a ser estimulada. E um dia, conversando com um amigo abertamente, comentei minha apreensão e ele riu. Disse que pensava o mesmo de si próprio, pois apesar de gostar de sexo, quando a intenção era a satisfação imediata, era à sua mão que recorria, pois ela já sabia como fazer. Disse inclusive que amava ser tocado pelas namoradas, mas dificilmente elas o levavam à ejaculação. Rimos muito e aprendemos um com o outro, principalmente o fato de admitir que prazer sexual e auto-conhecimento andam juntos.

Depois que transei, não vi lá grande coisa no sexo convencional não. Achava muito sem graça o cara subir em mim, fazer uns movimentos de vai e vem por cima, por trás e de ladinho e gozar. Ele gozava, eu não. E não aceitava isso, já que sozinha eu sabia me satisfazer. Foi então que quando a primeira boca me beijou lá, eu descobri que bocas eram ainda mais deliciosas quando mais ousadas e me apaixonei por bocas em mim.

Um belo dia, minha mãe comprou um massageador, coisa séria, terapêutica. Foi quando em uma crise de cólica menstrual eu comecei a massagear minha barriga, e senti uma vibração gostosa, fui descendo e… Bingo! O massageador era tão bom quanto o jato d’água, os meus dedos, a coxa do namorado, tão bom quanto a melhor melhor boca que já esteve em mim e… Muito mais eficaz! O elegi meu amante de sempre, até hoje adoro e eventualmente faço uso.

Curiosamente, evitava durante a masturbação introduzir objetos. Morria de vontade, mas ficava com o maior medo. Medo desses mitos que correm por aí, das garrafas que entalavam com sucção, dos cabos de escovas que machucavam a parede interna dela, de enfiar algo e se perder lá dentro… Até que um dia a curiosidade foi mais forte que o medo, fui à geladeira peguei uma bela cenoura e enfiei em mim. Com os movimentos de vai e vem, tal qual uma deliciosa trepada, mas sem deixar de estimular meu clitóris. Resultado? Orgasmo! Orgasmos múltiplos. Com a cenoura fodi minha xota quantas vezes quis, me satisfiz, acabei com os mitos e parti para novas descobertas.

Já perdi as contas do que já usei em mim. A cenoura foi só a primeira, mas já usei pepinos, bananas, tubos de desodorante roll on, picolés, sacolés, gelo, o pino de madeira do espelho da cama… Até que recentemente comprei o meu primeiro brinquedinho específico, um dildo, na verdade um plug anal. Comprei para brincar com um parceiro sexual, a relação acabou e o brinquedo ficou comigo. Ele tem uma anatomia interessante, começa fino, vai enlarguecendo, até que abruptamente afina de novo e tem uma base chata. A intenção é realmente plugar! E pluga, viu?! Masturbar-se plugada é o que há de melhor, seja na xota ou no cu. Já pluguei o cu com ele, meti uma cenoura na frente, fechei os olhos e me masturbei gostoso imaginando ser penetrada por dois. Lembrar está me deixando doida aqui. Amo fantasiar.

Tenho uma amiga que tem um monte de brinquedos e não sabe brincar. Não usa nada. Ganha dos namorados, finge um prazerzinho pra eles e depois larga pra lá. Não estou julgando, só comentando, tenho até dó dela ser tão travada.

Tem uma cápsula vibratória, uma borboleta massageadora de clitóris, dildos de três tamanhos, cinto para strapon, mas… Não goza com nada disso. Nem na boca, nem com os dedos, com jatinhos d’água, brinquedinhos, nada. Só goza com o papai e mamãe, o tal vai e vem sem graça que tem o ápice na porra jorrando dentro. Vai entender?! Até gosto, mas acho pouco.

Hoje aumentei minha caixa de brinquedos. Tenho também chicotes, correntes, algemas, mas isso… Isso vai ser um outro assunto.